Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


(9) Aristóteles

por Carlos Mag. Costa, em 19.08.15

Fonte: Transcrição de partes do livro: “O Mundo de Sofia”

  

Aristóteles não era um ateniense. Era natural da Macedónia, mas foi para a Academia quando Platão tinha 61 anos.

 

Aristóteles não foi apenas o último grande filósofo grego, mas foi também o primeiro grande biólogo da Europa.

 

Platão estava concentrado nas formas ou «ideias» eternas que mal reparava nas transformações da natureza. Aristóteles, pelo contrário, interessava-se precisamente pelas transformações, por aquilo a que chamamos transformações físicas.

 

Platão afastava-se do mundo sensível e só distinguia passageiramente aquilo que vemos à nossa volta. (Ele queria sair da caverna! Queria olhar para o mundo eterno das ideias!). Aristóteles fazia exatamente o inverso: dirigia-se à natureza e estudava peixes e rãs, anémonas e papoilas.

 

Podemos dizer que Platão usou a penas o seu entendimento; Aristóteles, por seu lado, usou também os sentidos.

 

A importância de Aristóteles para a cultura europeia não reside apenas do fato de ele ter criado a linguagem técnica que ainda hoje as diversas ciências utilizam. Ele foi o grande sistemático que fundou e ordenou as diversas ciências.

 

Não há ideias inatas

 

Tal como os filósofos anteriores, também Platão quis encontrar algo eterno e imutável no meio de todas as transformações. Deste modo, encontrou as ideias perfeitas, que são superiores ao mundo sensível. Além disso, para Platão, estas ideias eram mais reais do que todos os fenómenos na natureza. Primeiro, vinha a ideia «cavalo» em seguida, todos os cavalos do mundo sensível, que galopavam como cópias na parede de uma caverna. Logo, a ideia «galinha» vem antes da galinha e do ovo.

 

Aristóteles achava que Platão tinha posto tudo às avessas. Estava de acordo com Platão em que o cavalo particular «flui», e que nenhum cavalo vive eternamente. Também estava de acordo em que a forma de cavalo é em si eterna e imutável. Mas, para Aristóteles, a «ideia» cavalo é apenas um conceito que nós homens formámos, depois de termos visto um determinado número de cavalos. Para Aristóteles, a «forma» cavalo consiste nas caraterísticas do cavalo – diríamos hoje na espécie cavalo. Para Aristóteles, as «formas» residem nas próprias coisas como qualidades específicas das coisas.

 

Aristóteles também não concorda com Platão em que a ideia «galinha» precede a galinha. Aquilo a que Aristóteles chama de «forma» galinha, reside na forma das qualidades específicas de cada galinha, por exemplo, pôr ovos. Assim, a galinha em si e a «forma» galinha são tão inseparáveis como a alma e o corpo.

 

Aristóteles discorda da teoria das ideias de Platão.

 

Para Platão, o grau máximo de realidade é o que pensamos com a razão. Para Aristóteles, é igualmente evidente que o grau máximo de realidade é o que percecionamos ou sentimos com os sentidos. Segundo Platão, aquilo que vemos à nossa volta na natureza é apenas reflexo de algo que existe no mundo das ideias, e consequentemente na alma do homem. Aristóteles dizia exatamente o contrário: aquilo que está na alma do homem é apenas o reflexo dos objetos da natureza. Para Aristóteles, o mundo real é a natureza.

 

Aristóteles aponta para o facto de que nada existe na consciência que não tenha existido primeiro nos sentidos. Platão poderia ter dito que não há nada na natureza que não tenha existido primeiro no mundo das ideias. Segundo Aristóteles, Platão duplicou o número de coisas.

 

Aristóteles defendia que tudo o que temos em pensamento e em ideias chegou à nossa consciência através daquilo que vimos e ouvimos e que também temos uma razão inata, que temos uma faculdade inata de ordenar todas as impressões sensíveis em diferentes grupos e classes. Assim, nascem conceitos como «pedra», «animal» e «homem».

 

Aristóteles não negava que o homem tivesse uma razão inata. Muito pelo contrário. Para Aristóteles, a razão é precisamente a caraterística mais importante do homem que está completamente «vazia» enquanto não sentimos nada. Para Aristóteles, o homem não possui «ideias» inatas.

 

As formas são as qualidade das coisas

 

Para Aristóteles, a realidade é constituída por diversas coisas particulares que apresentam uma unidade de forma e matéria. A «matéria» é aquilo a partir do qual a coisa é feita, enquanto a «forma» carateriza as qualidades particulares das coisas.

 

Para Aristóteles, na matéria há sempre uma possibilidade de se atingir uma determinada forma. Defende que a matéria se esforça por realizar uma possibilidade em si inerente e que cada mudança na natureza é uma transformação da matéria da possibilidade para a realidade.

 

Aristóteles achava que em todas as coisas da natureza está inerente uma possibilidade de realizar uma forma determinada.

 

A causa final

 

Aristóteles acreditava que em toda a natureza há uma finalidade – teoria das causas que, por exemplo, chove para que as plantas cresçam e as laranjas e as uvas crescem para que os homens as comam.

 

Hoje, a ciência já não pensa assim. Dizemos que a alimentação e a humidade são condições para que os homens e os animais possam viver. Não é a intensão das laranjas ou da água alimentarem-nos.

 

Lógica

 

A distinção entre «forma» e «matéria» tem um papel importante na descrição que Aristóteles faz do modo como o homem conhece os objetos na natureza.

 

Aristóteles procurou provar que todas as coias na natureza pertencem a diversos grupos ou subgrupos.

 

“Hermes é um ser vivo, mais exatamente, um animal, mais exatamente, um vertebrado, mais exatamente, um mamífero, mais exatamente, um cão, mais exatamente, um labrador, mais exatamente, um labrador macho”.

 

Aristóteles foi um homem meticuloso e metódico que queria pôr em ordem os conceitos dos homens. Por isso, foi ele quem fundou a lógica como ciência. Estabeleceu várias regras precisas para determinar que conclusões ou que demonstrações são válidas logicamente. Um exemplo deve ser suficiente. Se afirmar primeiro que «todos os seres vivos são mortais» (1.ª premissa), e afirmar em seguida que «Hermes é um ser vivo» (2.ª premissa), pode-se deduzir a conclusão: «Hermes é mortal».

 

A escala da natureza

 

Quando Aristóteles quer «pôr ordem» na existência, ele aponta primeiro para o facto de que tudo o que há na natureza pode ser dividido em dois grupos principais:

(1) as coisas inanimadas, como pedras, gotas de água e torrões de terra. Nelas não está inerente nenhuma potencialidade de mudança. Só se podem alterar por ação do exterior.

(2) as coisas animadas, nas quais é inerente a possibilidade de se alterarem.

 

Relativamente à coisas animadas, Aristóteles salienta que devem ser divididas em dois grupos:

(1) o reino vegetal, ou das plantas, e

(2) o reino de todos os outros seres vivos, que pode ser subdividido em dois subgrupos: o dos animais e o dos homens.

 

Quando Aristóteles classifica os fenómenos da natureza em diferentes grupos, parte das qualidades das coisas, ou, mais exatamente, do que elas podem fazer ou do que elas fazem.

 

Todos os seres vivos (plantas, animais e homens) têm a faculdade de assimilar a alimentação, de crescer e de se multiplicar. Os homens e os animais têm ainda a capacidade de sentir e de se mover na natureza. Todos os homens têm ainda a faculdade de pensar, ou, justamente, de ordenar as suas impressões sensíveis em diferentes grupos e classes.

 

Deste modo, não há na natureza limites verdadeiramente definidos. Vemos uma passagem gradual de plantas mais simples para plantas mais complexas, de animai simples para animais complexos. No cimo desta escala está o homem que, segundo Aristóteles, reúne toda a vida na natureza. O homem cresce e alimenta-se, tal como as plantas, tem sensações e a capacidade de se mover, tal como os animais, mas além disso tem uma característica muito particular, que só o homem possui: a capacidade de pensar racionalmente.

 

Aristóteles acreditava que os movimentos das estrelas e dos planetas regiam os movimentos aqui na terra, mas que havia algo que movia os corpos celestes. A esse algo Aristóteles chamou de o primeiro motor ou Deus.

 

Aristóteles defendia a existência de um Deus que deu origem a todos os movimentos da natureza, Deus esse que representa o vértice absoluto na escala da natureza.

 

Ética

 

Aristóteles foi o primeiro filósofo a distinguir a ética da política, centrada a primeira na ação voluntária e moral do indivíduo enquanto tal, e a segunda, nas vinculações deste com a comunidade.

 

Segundo Aristóteles, a «forma» do homem é possuir uma «alma vegetativa», uma «alma sensitiva» e uma «alma racional».

 

Às perguntas: Como é que o homem deve viver? De que é que o homem precisa para viver bem? Aristóteles defende que o homem só é feliz quando pode desenvolver e usar todas as suas faculdades e capacidades.

 

Aristóteles acreditava em três formas de se conseguir uma vida feliz:

(1) como ser com desejos e a necessidade de prazer;

(2) como cidadão livre e responsável;

(3) como pesquisador e filósofo.

 

Aristóteles sublinha que estas três formas completam-se para que o homem possa ter uma vida feliz. Ele recusa portanto qualquer tipo de parcialidade.

 

No que diz respeito à relação com o próximo, Aristóteles, também aconselha um «meio termo». Defende que não devemos ser cobardes nem temerários, mas corajosos (pouca coragem significa cobardia, demasiada coragem significa temeridade).

 

O mesmo é defendido para a alimentação. Comer pouco é perigoso, mas comer muito também é perigoso.

 

A ética de Platão e de Aristóteles faz recordar a ciência médica grega: só através da harmonia e da moderação me torno um homem feliz ou harmonioso.

 

Política

 

A ideia de que o homem não deve levar nada ao extremo, na vida, está também presente na visão aristotélica da sociedade.

 

Aristóteles afirmava que o homem é um «ser social». Na sua opinião, sem a sociedade à nossa volta não somos verdadeiros homens. A família e a cidade satisfazem as necessidades vitais mais básicas como a alimentação e o calor, o casamento e a educação dos filhos. Todavia, a forma mais elevada de comunidade humana só pode ser, para Aristóteles, o Estado.

 

Para Aristóteles, o homem é um animal político, inclinado a fazer parte de uma pólis, a “cidade” enquanto sociedade política. A cidade precede assim a família, e até o indivíduo, porque responde a um impulso natural. Dos círculos em que o homem se move, a família, a tribo, a pólis, só esta última constitui uma sociedade perfeita. Daí serem políticas, de certo modo, todas as relações humanas. A pólis é o fim e a causa final da associação humana.

 

Perante a questão: Como é que o Estado deveria ser organizado? Aristóteles menciona várias formas de governo:

(1) a monarquia – há um chefe supremo que não transformar-se numa «tirania» governo do Estado por um único soberano em seu próprio proveito.

(2) a aristocracia – governo de um grupo restrito de indivíduos, forma esta que se deve precaver para não degenerar numa oligarquia – regime no qual apenas são salvaguardados os interesses de poucas pessoas.

(3) a democracia, que pode facilmente degenerar numa «oclocracia» - governo da multidão.

 

A conceção da mulher

 

Aristóteles pensava que algo faltava à mulher. Afirmava que a mulher é um «homem incompleto», que na reprodução a mulher é passiva e recetora, enquanto que o homem é ativo e dador. Por isso, segundo Aristóteles, a criança herdava apenas as características do homem, as características da criança estavam contidas no sémen do homem.

 

Para Aristóteles, a mulher é como o terreno que recebe e conserva a semente, enquanto que o homem é o próprio «semeador». Ou dito de outra forma verdadeiramente aristotélica, o homem dá a «forma», a mulher dá a «matéria».

 

A conceção Aristotélica da mulher é particularmente grave porque se tornou predominante durante a Idade Média, e não a de Platão.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:37

(8) Platão

por Carlos Mag. Costa, em 08.08.15

Inicialmente, Platão parece ter sido discípulo de Crátilo, seguidor de Heráclito, um dos grandes filósofos pré-Socráticos. Posteriormente, Platão entra em contato com Sócrates, tornando-se seu discípulo, com aproximadamente vinte anos de idade e com o objetivo de se preparar melhor para a vida política. Mas os acontecimentos acabariam por orientar sua vida para a filosofia como a finalidade de sua vida.

 

Platão tinha cerca de vinte e nove anos quando Sócrates foi condenado à beber o cálice de cicuta (veneno fortíssimo). Ele havia acompanhado de perto o processo de seu mestre, e relata na Apologia de Sócrates o discurso que Sócrates expôs ao tribunal.

 

O fato de Atenas, a mais iluminada das cidades-estados gregas, ter condenado à morte "o mais sábio e o mais justo dos homens" - como falara mediunicamente o oráculo de Apolo, em Delfos - lhe deixou marcas profundas que determinariam as linhas mestras de toda a sua atividade de filósofo.

 

Platão fundou perto de Atenas a sua própria escola filosófica, num pequeno bosque, que tinha o nome do lendário herói grego Academo. A escola de filosofia de Platão recebeu assim o nome de Academia. Desde então foram abertas em todo o mundo milhares de academias. Falamos ainda de «académicos» e de «disciplinas académicas».

 

Na Academia de Platão lecionava-se filosofia, matemática e ginástica. Na Academia de Platão também se usava o diálogo vivo. Não é por acaso que o diálogo tenha sido a sua forma privilegiada de escrita.

 

O que é que Platão queria descobrir? Dito em poucas palavras: Platão interessava-se por um lado (1) pela relação entre aquilo que é eterno e imutável e, por outro, (2) por aquilo que «flui», exatamente como os pré-socráticos.

 

Dissemos que tanto os sofistas como Sócrates tinham-se afastado das questões da filosofia da natureza e tinham-se interessado mais pelos homens e pela sociedade. Mas tanto os sofistas como Sócrates ocupavam-se também, de certa maneira, da relação que existe entre o que é eterno e constante e aquilo que «flui». Preocupavam-se com esta questão quando se tratava da moral humana e dos ideais ou virtudes da sociedade.

 

Os sofistas achavam, grosso modo, que o conceito de justiça e de injustiça variava de cidade-estado para cidade-estado e de geração para geração, que seria algo «fluido».

 

Sócrates não aceitava isso. Acreditava em regras ou normas eternas e intemporais para o procedimento humano. Quando usamos apenas a nossa razão, segundo ele, podemos compreender todas essas normas imutáveis, porque a razão humana é justamente algo eterno e imutável.

 

Platão interessa-se tanto (1) por aquilo que é eterno e imutável na natureza, como (2) por aquilo que na moral e na sociedade é eterno e imutável. Para Platão, trata-se de uma mesma coisa. Ele procura obter uma «realidade» própria que seja eterna e imutável.

 

- TEORIA DAS IDEIAS

 

Empédocles e Demócrito já tinham mostrado que todos os fenómenos na natureza «fluem», mas que apesar disso há «algo» que nunca se transforma (as «quatro raízes» ou os átomos).

 

Platão achava que tudo o que podemos tocar e sentir na natureza «flui». Não há, portanto, nenhum elemento eterno. Tudo o que pertence ao «mundo sensível» é composto por uma matéria que o tempo consome. Mas ao mesmo tempo, tudo é constituído por uma forma intemporal que é eterna e imutável.

 

Para Platão, o eterno e imutável não é nenhum «elemento primordial». O eterno e imutável são modelos espirituais ou abstratos, a partir dos quais se formam todos os fenómenos.

 

Platão admirou-se como todos os fenómenos da natureza podem ser tão semelhantes entre si, e chegou então à conclusão de que «acima» ou «por detrás» de tudo o que vemos à nossa volta há um número limitado de formas. A estas formas chamou Platão ideias.

 

Platão defendia uma realidade própria por detrás do «mundo sensível». A esta realidade chamava ele o mundo das ideias. A esta conceção denominamos de teoria das ideias de Platão.

 

Segundo Platão, a realidade está dividida em duas partes:

 

(1) Uma parte é o mundo sensível – de que só podemos atingir um conhecimento impreciso e imperfeito, e onde usamos os nossos cinco (imprecisos e imperfeitos) sentidos. A caraterística do mundo dos sentidos é que «tudo flui» e consequentemente nada possui estabilidade. Nada é no mundo dos sentidos, existe apenas um conjunto de coisas que nascem e perecem.

 

(2) A outra parte é o mundo inteligível, o mundo das ideias – de que podemos alcançar um saber certo usando a razão. Este mundo das ideias não pode ser conhecido através dos sentidos. Em compensação, as ideias (ou formas) são eternas e imutáveis.

 

Consequentemente, para Platão, o homem também é um ser dividido em duas partes:

 

(1) Temos um corpo que «flui». Ele está indissoluvelmente ligado ao mundo sensível e sofre o mesmo destino que o sensível. Todos os nossos sentidos estão ligados ao corpo e são de pouca confiança.

 

(2) Mas nós possuímos também uma alma imortal, ela é que é sede da razão. Uma vez que a alma não é material, pode observar o mundo das ideias.

 

A principal novidade da filosofia platônica consistiu na descoberta de uma realidade superior ao mundo sensível, ou seja, uma dimensão suprafísica (ou metafísica) do ser, a que chama de alma.

 

A teoria das idéias de Platão está diretamente ligada a sua teoria da alma.   Na parte IV do seu livro “República” Platão concebe o homem como corpo e alma. Enquanto o corpo modifica-se e envelhece, a alma é imutável, eterna e divina. A alma inteligente preso ao corpo um dia foi livre e contemplou o mundo das idéias, mas as esqueceu. É somente através da busca do conhecimento, através de um processo de recordação, de reminiscência o homem pode lembrar-se das idéias que um dia contemplou.   A realidade sem forma, sem cor, impalpável só pode ser contemplada pela inteligência, que é o guia da alma.

 

Platão divide a alma em três partes:

(1) A Alma Vegetativa ou Apetitiva: o lado racional está localizado na cabeça, seu objetivo é controlar os dois outros lados, com ele adquirimos a sabedoria e a prudência.

(2) A Alma Irascível ou violenta: o lado irascível está localizado no coração, seu objetivo é fazer prevalecer os sentimentos e a impetuosidade, com ele adquirimos a coragem.

(3) A Alma Racional: o lado concupiscente que está localizado no baixo-ventre, seu objetivo é satisfazer os desejos e apetites sexuais, com ele adquirimos a moderação ou a temperança.

 

No Mito do Cocheiro, no diálogo “Fedro”, Platão compara a alma a uma carruagem puxada por dois cavalos, um branco (irascível) e um negro (concupiscível). O corpo humano é a carruagem, e o cocheiro (Razão) conduz através das rédeas (pensamentos) os cavalos (sentimentos).  Cabe ao homem através de seus pensamentos saber conduzir seus sentimentos, pois somente assim ele poderá se guiar no caminho do bem e da verdade.

 

Platão afirma que não podemos ser felizes quando somos dominados pela concupiscência e pela cólera, isso porque as paixões sempre nos conduzem por caminhos perigosos e contraditórios e fazem com que os desejos e impulsos violentos de nosso corpo tirem nosso bom senso.

 

Já dizia Sócrates que todo vicio é ignorância.

 

Para Platão, não há nada mais deprimente do que uma pessoa que age por impulsos e é dominada pelas paixões. Ter autocontrole é essencial para sermos felizes. A felicidade só pode ser alcançada se formos capazes de dominar nossos sentimentos pela razão. A moderação é uma virtude e ela se realiza quando somos capazes de controlar a nossa concupiscência.

 

- TEORIA DA PARTICIPAÇÃO

 

Para Platão, cada coisa no mundo, reproduz infielmente as idéias. As coisas estão para as idéias como as sombras estão para os objetos. Exemplo: as rosas que vejo são brancas ou amarelas, podem ter ou não perfume e espinhos. Onde está a verdadeira rosa? Segundo a teoria platônica, no Mundo das Idéias. As coisas desse mundo são uma mistura de ser não ser (uma rosa é esta rosa ao mesmo tempo não é a verdadeira rosa). As coisas SÃO enquanto participam das Idéias e NÃO–SÃO enquanto são meras participações.

 

Esta teoria assenta no pressuposto que existe uma relação entre as coisas sensíveis e as ideias (eternas, belas, unas, imutáveis). As coisas sensíveis são belas porque participam da ideia de belo. Todas as coisas que existem no mundo sensível foram feitas à imagem das Ideias. Um única ideia tem uma multiplicidade de cópias-coisas. As provas desta participação, afirma Platão, podem reconhecer-se na harmonia e organização do mundo sensível.

 

- TEORIAS: DA METEMPSICOSE E DA REMINISCÊNCIA

 

Para Platão, a alma já existia antes de se ter estabelecido no nosso corpo (Teoria da Metempsicose): antigamente, a alma estava no mundo das ideias. Mas logo que a alma acorda num corpo humano, esquece-se das ideias perfeitas. Inicia-se então um processo espantoso: quando o homem se apercebe das formas na natureza, emerge progressivamente na alma uma vaga recordação. O homem vê um cavalo, mas um cavalo imperfeito e isso é suficiente para despertar na alma uma recordação vaga do cavalo perfeito que a alma viu outrora no mundo das ideias (Teoria da Reminiscência). Com isto, surge igualmente uma saudade, um desejo da verdadeira sede da alma. Platão chamava a esse desejo Eros, ou seja amor. A alma sente, portanto, um «desejo amoroso» da sua verdadeira origem. A partir daí, vê o corpo e tudo o que é sensível como imperfeito e insignificante. A alma deseja voar «de volta» ao mundo das ideias nas asas do amor. Desejaria ser libertada da prisão do corpo. Platão descreve aqui o percurso ideal. Com efeito, nem todos os homens permitem que a sua alma inicie a viagem de regresso ao mundo das ideias. A maior parte dos homens fixa-se nos «reflexos» das ideias no mundo sensível.

 

A Teoria da Metempsicose pressupõe a imortalidade da alma e as sucessivas reincarnações. Ao incarnar num corpo, a alma irá recordar o que outrora contemplou no mundo das ideias. Esta teoria serve de fundamento à da Reminiscência.

 

A Teoria da Reminiscência pressupõe a existência de um saber inato que pode ser recordado.

 

Para Platão, todos os fenómenos da natureza são meras sombras das formas ou ideias eternas. Porém, a maioria das pessoas está satisfeita com a sua vida entre as sombras. Não pensam que há algo que provoca as sombras. Acham que as sombras são tudo o que existe, e por isso não tomam as sombras como sombras. Deste modo, esquecem também a imortalidade das suas almas.

 

Em Platão, é pois notória a influência da teoria órfico-pitagórica da transmigração das almas bem como a teoria da filosofia como possibilidade de purificação e ascese espiritual.

 

- TEORIA DO CONHECIMENTO

 

Para Platão, existe o mundo sensível do mundo inteligível.

 

(1) O mundo sensível só nos permite um conhecimento aparente do mundo e portanto não um verdadeiro conhecimento. Os sentidos constituem verdadeiros obstáculos para a alma de atingir o verdadeiro conhecimento, o que só o poderá obter afastando-se ou libertando-se do corpo, dos sentidos. A fim de garantir a possibilidade do próprio conhecimento Platão sustentam que as coisas sensíveis são cópias (sombras) das ideias que a alma contemplou no mundo inteligível. Quando esta reincarna num corpo trás consigo recordações destas formas (ideias inatas), transformando deste modo toda a aprendizagem numa recordação.

 

Para Platão, a aprendizagem , tomada de consciência da natureza, dá-se através da anamnese- recordação do conhecido.

 

Platão achava que tudo o que vemos à nossa volta na natureza, tudo o que podemos agarrar e tocar pode ser comparado a uma bola de sabão (bola que após se formar dura pouco tempo, rebenta). Porque nada do que existe no mundo dos sentidos dura. Para Platão, nunca podemos ter um saber seguro acerca de algo que se transforma. Daquilo que pertence ao mundo sensível, e que nós podemos portanto agarrar e tocar, temos apenas opiniões incertas ou suposições. Só podemos ter um saber verdadeiro daquilo que conhecemos com a razão. A visão pode variar de homem para homem. Inversamente, podemos confiar naquilo que a razão nos diz, visto que a razão é a mesma em todos os homens.

 

Para Platão:

 

(1) O objeto da ciência não são as coisas sensíveis, mas as ideias (eternas, unas e imutáveis).  

- As ideias são o objeto visado pelo conhecimento racional;

- Os sofistas não foram além das aparências, limitaram-se a emitir opiniões sobre as aparências sensíveis;

- Os filósofos são os únicos que procuram o verdadeiro conhecimento ultrapassando o domínio das aparências sensíveis;

- A tarefa da filosofia é afastar a alma da investigação feita com o olhos, com os ouvidos e os outros sentidos, levando-a a concentrar-se em si própria para aí descobrir o Ser, aquilo que é;

- A alma deve assim separar-se o mais possível do corpo (mundo sensível), preparando-se para a morte (o regresso ao mundo das ideias). 

 

(2) As ideias são os critérios ou princípios  de julgamento das coisas sensíveis.

- As ideias permitem-nos julgar as coisas, quer quanto à sua semelhança, perfeição ou imperfeição. Servem-nos igualmente para julgar do que é bom, justo, belo e outros valores que atribuímos às coisas.

 

(3) As ideias são as causas das coisas no mundo sensível.

- As ideias são as causas das coisas do mundo sensível, a sua razão de ser (fim).

 

A anamnese explica a “raiz” ou a “possibilidade” do conhecimento, quando explica que o conhecer é possível porque temos na alma uma intuição originária do verdadeiro.

 

Na República Platão parte do princípio segundo o qual o conhecimento é proporcional ao ser, de modo que apenas aquilo que é ser em grau máximo é perfeitamente cognoscível, enquanto o não-ser é absolutamente incognoscível. Entretanto, como existe também uma realidade intermediária entre ser e não-ser, isto é, o sensível, que é mistura de ser e não-ser (enquanto sujeito ao devir), Platão acaba por concluir que desse “intermediário” existe um conhecimento igualmente intermediário entre ciência e ignorância, um tipo de conhecimento que não se identifica com o conhecimento verdadeiro e próprio; é a “opinião” (dóxa).

 

Para Platão, porém a opinião é quase sempre enganadora. Pode até ser verdadeira e reta, mas jamais pode possuir em si mesma a garantia de sua retidão, permanecendo sempre sujeita a alterações, assim como mutável é o mundo sensível ao qual ela se refere. Para fundamentar a opinião impõe-se, como diz Platão no Mênon, tratá-la com o expediente do “raciocínio causal”, isto é, firmá-la através do conhecimento da causa, da Ideia. Desse modo, porém, a opinião deixaria de ser opinião, transformando-se em ciência ou epistéme.

 

Platão especifica ainda que tanto a opinião (dóxa) como a ciência (epistéme) realizam-se em dois graus:

- a opinião se divide em simples imaginação - eikasía e crença - pístis. Correspondem os graus do sensível, referindo-se a eikasía às sombras e às imagens sensíveis das coisas, ao passo que a pístis corresponde às coisas e aos próprios objetos sensíveis.

- enquanto a ciência se desdobra em ciência intermediária - diánoia, e em inteleção pura - nóesis). A nóesis referem-se a dois graus do inteligível (ou, segundo alguns, a dois modos de captar o inteligível, identifica-se com o conhecimento dialético das Idéias. A diánoia consiste no conhecimento matemático-geométrico. A diánoia (conhecimento intermediário, como alguém oportunamente traduz o termo) opera ainda em torno de elementos visivos (por exemplo, as figuras traçadas nas demonstrações geométricas) e de hipóteses. A nóesis é captação pura das Idéias e do princípio supremo e absoluto do qual todas dependem (isto é, da Idéia do Bem).

 

Em resumo, para Platão, acerca daquilo que percecionamos ou sentimos podemos ter apenas opiniões incertas. Mas acerca daquilo que conhecemos com a razão, podemos atingir um conhecimento seguro. A razão é eterna e universal, precisamente porque se pronuncia apenas acerca de realidades eternas e universais.

 

Para Platão, a Beleza tem valor em si, pois pertence ao mundo das Idéias e é Absoluta. Já a Arte, é a Imitação da Imitação do belo.

 

- O ESTADO IDEAL, EDUCAÇÃO E POLÍTICA

 

Em a Alegoria da Caverna de Platão, no diálogo A República Platão descreve o Estado ideal, isto é, ele imagina um Estado-modelo, ou aquilo que designamos por «Estado utópico». Resumidamente, podemos dizer que, para Platão, o Estado deve ser governado por filósofos. Toma como ponto de partida o homem individual.

 

Segundo Platão, o corpo humano é constituído por três partes, a saber: a cabeça, o peito e o abdómen. A cada uma destas partes corresponde uma faculdade. À cabeça corresponde a razão, ao peito a vontade, ao abdómen o prazer ou a concupiscência. A cada uma destas faculdades pertence ainda um ideal ou uma virtude. A razão deve procurar a sabedoria, a vontade deve mostrar coragem, e a concupiscência deve ser refreada, para que o homem possua temperança. Só quando as três partes atuam em consonância temos um homem harmonioso ou íntegro.

 

Platão imagina um Estado que é organizado exatamente como um homem. Assim como o corpo possui «cabeça», «peito« e «abdómen», o Estado possui soberanos, guardiões (ou soldados) e os comerciantes (grupo ao qual pertencem, além dos comerciantes, os artesãos e os camponeses). Torna-se claro que Platão toma como modelo a ciência médica grega. Assim como um homem são e harmonioso apresenta equilíbrio e temperança, aquilo que carateriza um estado justo é o facto de cada um conhecer o seu lugar no todo.

 

Tal como a filosofia de Platão em geral, também a sua filosofia política está impregnada de racionalismo. Decisivo para a criação de um bom Estado é ele ser dirigido com razão. Tal como a cabeça dirige o corpo, são os filósofos que têm de governar a sociedade.

 

Hoje diríamos talvez que o Estado de Platão é um Estado totalitário.

 

A educação dos filósofos-governantes era particularmente cuidada e longa (concluía-se ao redor dos 50 anos) e se baseava, na sua fase conclusiva, sobre o exercício da dialética para alcançar a contemplação do Bem e sua aplicação à realidade contingente.

 

Devemos reparar que Platão era da opinião de que as mulheres poderiam governar o Estado tal como os homens, precisamente porque os soberanos devem governar a cidade-Estado em função da sua razão. Segundo Platão, as mulheres tinham tanta racionalidade como os homens, se recebessem a mesma formação, e se fossem ainda libertadas do cuidado das crianças e das tarefas domésticas.

 

Platão queria abolir nos soberanos e nos seus guardiões a família e a propriedade privada. A formação das crianças era demasiado importante para ser deixada aos indivíduos. A educação das crianças tinha de estar a cargo do Estado. (Platão foi o primeiro filósofo que se pronunciou a favor de jardins infantis e escolas públicas)

 

Depois de ter tido algumas desilusões políticas, Platão modificou em parte esta visão idealista do Estado e formulou uma doutrina do Estado descrita no diálogo As Leis. Descreve nele o «Estado de lei» como o segundo melhor Estado e introduz de novo a propriedade privada e os laços familiares. Desta forma, a liberdade das mulheres é restringida. Mas ele diz também que um Estado que não educa e forma mulheres é como um homem que apenas exercita o seu braço direito.

 

Para Platão, as crianças não escola devem aprender primeiramente a refrear a sua concupiscência, depois a desenvolver a coragem, e, por fim, a desenvolver a razão e adquirir sabedoria.

 

No diálogo Górgias Platão faz Sócrates pronunciar as seguintes palavras: “Creio ser eu dos poucos atenienses, para não dizer o único, que tenta realizar a verdadeira arte política, e o único, entre os contemporâneos, que a pratica.”

 

A “verdadeira arte política” é a arte que “cura a alma” e a torna o mais possível “virtuosa”, sendo, por isso, a arte do filósofo. Assim, a tese que Platão amadureceu a partir do Górgias e expressou tematicamente na República é precisamente a da coincidência da verdadeira filosofia com a verdadeira política. Apenas se o político se tornar “filósofo” (ou vice-versa) será possível construir a Cidade autêntica, ou seja, o Estado fundado sobre o valor supremo da justiça e do bem.

 

Em O Mito da Caverna, Platão menciona também um “retorno” à caverna por parte daquele que se libertara das algemas, retorno cuja finalidade consiste na libertação das cadeias daqueles em companhia dos quais ele antes fora escravo. Tal “retorno” representa certamente o retorno do filósofo-político, o qual, se atendesse apenas às solicitações de seu desejo, permaneceria atento à contemplação do verdadeiro. Superando, porém, seu desejo, desce à caverna na tentativa de salvar os outros. O verdadeiro político, segundo Platão, não ama o comando e o poder, mas usa o comando e o poder como serviço, para o bem.

 

O que poderá, entretanto, acontecer a quem desce de novo à caverna? Passando da luz para a escuridão, ele não conseguirá enxergar enquanto não se habituar novamente à falta de luz; terá dificuldades em se readaptar aos costumes dos antigos companheiros, se arriscará a não ser por eles entendido e, tomado por louco, correrá até mesmo o risco de ser assassinado, como aconteceu com Sócrates e como poderá acontecer a todo aquele que testemunhe em dimensão socrática.

 

Para Platão, o homem que “viu” o verdadeiro Bem deverá e saberá correr esse “risco”, pois é isso que dá sentido a sua existência.

 

- IMORTALIDADE DA ALMA

 

As "provas" da imortalidade da alma constituem o núcleo central do Fédon, para a fundamentação das quais serão evocadas as várias teorias (Teoria da Ideias, da Reminiscência e da Reincarnação). 

 

1º. Argumento: O devir faz-se através da sucessão cíclica de coisas contrárias. Esta teoria que remonta a Heraclito. Os contrários sucedem-se alternadamente. Do pequeno se faz o grande e do grande o pequeno. O sonho sucede à vigília, a decomposição à composição, como a morte se sucede à vida e esta àquela. De acordo com este princípio, a existência terrena seria precedida de uma vida anterior oposta à morte - teoria da metempsicose. Neste processo é contudo necessário, que algo permaneça através dos ciclos de vida e da morte: a alma, enquanto princípio da vida.

 

2º. Argumento: Reminisciência. Para que alguém recorde algo, é necessário que antes  tenha aprendido. Aquilo que recordamos foi aprendido numa outra existência, na qual a alma contemplou as ideias. Platão afirma deste modo que a alma pré-existe ao corpo e sobrevive à sua morte.

 

3º. Argumento: Simplicidade da alma e sua afinidade com a Ideias. As coisas simples - as Ideias -, distinguem-se das compostas - os corpos -, por serem eternas, invisíveis e imutáveis. Num homem podemos distinguir a alma e o corpo. A alma é simples e o corpo é composto. Logo, temos que convir que à alma pertencem todas as características que são próprias das ideias, sendo portanto imortal. 

 

4º. Argumento: Incompatiblidade dos Opostos. As coisas particulares do mundo sensível têm existência e realidade quando participam nas ideias. Mas uma coisa não pode participar da Ideia que lhe é oposta (par no impar, calor no frio, saúde no frio, bom no mau). Ora a vida e a morte são opostos. A alma participa na ideia de vida, logo exclui a sua ideia contrária, a morte. A alma ao aproximar-se da morte (o seu contrário) afasta-se, libertando-se. Podemos pois concluir que a alma é imortal.

 

- ORIGEM DA ALMA

 

Para Platão, o mundo inteligível resulta da cooperação bipolar imediata dos dois Princípios supremos. O mundo sensível, entretanto, não é resultado direto desta cooperação: ele tem necessidade de um mediador, de um deus-artífice, nomeado por Platão de “Demiurgo”. Este cria o mundo animado através da “bondade”: toma como modelo as Ideias e plasma a khóra, isto é, o recetáculo material informe. O Demiurgo procura introduzir na realidade física os modelos do mundo ideal, em função das figuras geométricas e dos números. Os entes matemáticos são, portanto, os entes intermediários-mediadores que permitem à inteligência demiúrgica transformar o princípio caótico do sensível em kósmos, desdobrando matematicamente a unidade na multiplicidade em função dos números e, por conseguinte, produzindo ordem. O Demiurgo cria o cosmos sensível, dotando-o de inteligência e alma. As almas humanas são feitas pelo próprio Demiurgo, como ele fez a alma do mundo.

 

Para Platão, as almas são criadas pelo Demiurgo com a mesma substância com a qual é feita a Alma do Mundo, sendo composta de essência, identidade e diversidade. As almas teriam, portanto, um momento de criação, mas, por determinação divina, não estariam sujeitas à morte, como não está sujeito à morte tudo aquilo que é produzido diretamente pelo Demiurgo.

 

- DESTINO DAS ALMAS

 

Com relação ao destino das almas, ou melhor dizendo, suas trajetórias após a morte do corpo físico, se faz importante, em primeiro lugar, esclarecer a conceção platônica de metempsicose. Platão retoma essa doutrina do Orfismo e a amplia de várias maneiras.

 

No Fédon, esta doutrina é apresentada de forma bastante detalhada através do Mito do Destino das Almas. Lemos que as almas que viveram uma vida excessivamente ligada ao corpo, às paixões, ao amor e aos prazeres dele derivados, não conseguem, com a morte, separar-se inteiramente do que é corpóreo, pois o corpóreo se lhes tornou natural. Durante certo tempo, com medo do Hades (o mundo subterrâneo dos mortos), essas almas vagam junto aos seus sepulcros, como fantasmas, até que, atraídas pelo desejo do corpóreo, ligam-se novamente a corpos, não apenas de homens, mas, também, de animais, de acordo com o nível de perfeição moral por elas alcançado na vida anterior. Já as almas que tiverem vivido na prática da virtude, não da virtude filosófica, mas da comum, encarnar-se-ão em animais mansos e sociáveis ou até mesmo em homens honestos (Fédon, 80-e, 81 a-e, 107 c-e, apud Reale).

 

É ainda possível, no Fédon, distinguir as várias fases evolutivas de purificação pelas quais a alma passa: a purificação evolui de estágios inferiores de consciência “até à noção de uma inteligência que se isola do contágio do corpo ao qual está associada e que é levada, pelo seu amor à sabedoria e ao conhecimento, à contemplação da verdade” - crenças “míticas” que advém da religiosidade pitagórica.

 

Nos conta em o Mito de Er que, após certo período desencarnadas, as almas se reúnem em uma planície onde será determinado o destino futuro de cada uma delas. Os paradigmas da vida, ou seja, os vários tipos de vida possíveis, são, em seguida, apresentados às almas. Tais paradigmas, entretanto, não são impostos mas apenas propostos às almas. O homem não é livre de escolher entre viver ou não viver, mas é livre de optar por viver ou não de acordo com certas normas ditadas pela consciência, ou seja, viver segundo a virtude ou arrastado pelo vício. O “como” viver é, portanto, de livre escolha de cada ser.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:24

(7) Os Sofistas

por Carlos Mag. Costa, em 06.08.15

Fontes:

- Livro: “O Mundo de Sofia”

- Wikipédia

 

A partir da época de Sócrates, Atenas tornou-se o ponto de encontro da cultura grega.

 

Por volta de 450 a.C., Atenas tornou-se o centro cultural do mundo grego. A filosofia também tomou então uma orientação nova.

 

Os filósofos da natureza eram, sobretudo, investigadores do mundo físico. Ocupam consequentemente um lugar importante na história das ciências.

 

Em Atenas, o interesse centrou-se, então, mais no homem e no seu lugar na sociedade.

 

Em Atenas desenvolvia-se progressivamente uma democracia com assembleias populares e tribunais. Uma das condições para a instauração da democracia exigia que os homens recebessem instrução suficiente para poderem participar na vida política. Entre os atenienses isso significava sobretudo dominar a retórica.

 

Vindo das colónias gregas, um grupo de professores itinerantes e de filósofos afluiu então a Atenas. Chamavam-se sofistas. A palavra «sofista» designa uma pessoa sábia ou erudita. Dominavam a arte da oratória (a arte de bem falar). Em Atenas, os sofistas ganhavam o seu sustento ensinando os cidadãos.

 

Os sofistas faziam com frequência longas viagens, tomando assim conhecimento de vários sistemas de governo. Os usos e os costumes, e as leis das cidades-estado variavam muito. Partindo dessas experiências, os sofistas iniciaram em Atenas uma discussão sobre o que era estabelecido pela natureza e o que era imposto pela sociedade. Desta forma, criaram na cidade-estado de Atenas as bases para uma crítica social.

 

Podiam, por exemplo, mostrar que uma expressão como «pudor natural» não era admissível, porque se o pudor fosse natural, teria de ser inato. Pudor, ou a ausência de pudor, tem a ver sobretudo com os usos e os costumes numa sociedade.

 

Os sofistas tinham uma notável semelhança com os filósofos da natureza, pois também eles eram críticos relativamente aos mitos tradicionais. Mas, simultaneamente, os sofistas recusavam tudo o que lhes parecia ser especulação filosófica desnecessário. Achavam que, mesmo que houvesse resposta para muitas questões filosóficas, os homens nunca poderiam encontrar explicações verdadeiramente seguras para os enigmas da natureza e do universo. Em filosofia, este ponto de vista é designado por ceticismo.

 

Os sofistas interessavam-se também pelo homem e pelo seu lugar na sociedade.

 

Os sofistas provocavam fortes discussões na sociedade ateniense, ao afirmarem que não havia normas absolutas para estabelecer o que é justo e o que não é.

 

Os sofistas dominavam a arte da oratória -a arte de bem falar, ensinavam-na em troca de pagamento. Usavam sofismas. Defendiam que:

 

(1) Os Valores têm um caráter relativo e a inexistência de moral coletiva. Constatando a influência dos fatores sociais na formação dos homens e na modelação dos seus comportamentos, a existência de uma pluralidade de culturas e modos de pensar, os sofistas acabam por defender a relatividade de todo o conhecimento e dos valores, negando a sua universalidade.

 

(2) A verdade é subjetiva: tudo depende dos interesses do homem e da realidade social: regras morais, relacionamentos, posições políticas. Partindo de uma conceção relativista do conhecimento, negam igualmente a universalidade da Verdade. Esta não passa para alguns sofistas de uma convenção.

 

Segundo Sócrates, contribuíam para a destruição do conhecimento.

 

Os sofistas afirmavam saber de tudo e diziam-se competentes para preparando os jovens para ocuparem altos cargos na cidade (Polís). 

 

Apesar da diversidade dos métodos de educação dos sofistas, estes podem ser agrupados em dois tipos fundamentais:

 

(1) Cultura Geral. Este ensino compreendia o estudo da Aritmética, Geometria, Astronomia e Música. Estas matérias remontavam a um modelo de educação pitagórico, vindo a constituir mais tarde, na Idade Média, o célebre Quadrivium das sete Artes Liberais.

 

(2) Formação Política. Este ensino orientava-se para uma visão mais prática, procurando corresponder às exigências estritas da atividade política. Constava das seguintes disciplinas: Gramática, Dialética e Retórica. A arte da dialética, transforma-se numa arte de manipulação de ideias, através da qual o orador procura defender uma dada posição, mesmo que a mesma seja a pior de todas. A retórica era a arte de persuadir, independentemente das razões adotadas. Levado até ao exagero, este tipo de ensino, desacreditará os sofistas na Antiguidade Clássica.

 

A educação dada pelos sofistas visa a formação do homem como um ser concreto, membro de um povo e parte de um dado ambiente social. A educação torna-se a segunda natureza do homem. Deste modo, os sofistas afastam-se da tradição aristocrática, ligada à afirmação de fatores inatos. Os sofistas manifestam frequentemente uma visão otimista do homem, segundo a qual este possui uma inclinação natural para o bem. Protágoras foi um defensor desta posição. 

 

Alheios às tradições, os sofistas mostram-se dispostos a discutirem todos os assuntos. Atribuem à linguagem uma importância fundamental, mas esta não passa de uma convenção. As palavras são com frequência destituídas do seu sentido corrente, e são usadas como instrumentos de sugestão e persuasão para convencerem os seus interlocutores. Recorrem à ambiguidade das palavras, exageram na aplicação dos três princípios lógicos, para numa cadeia de deduções e sentidos ambíguos, levarem os seus interlocutores a desdizerem-se.

 

1. Protágoras (480-410 a.C.)

 

Protágoras era cidadão de Abedera, tal como o Demócrito (atomista).

 

É o mais conhecido entre todos os sofistas. No tempo de Péricles desfrutou de uma enorme influência em Atenas.

 

Ocupou-se da gramática e da linguagem.

 

Duvidava da possibilidade do homem atingir um conhecimento universal, caindo numa posição relativista (tudo não passam de convenções).

 

«O homem é a medida de todas as coisas», dizia o sofista Protágoras (cerca de 487-420 a.C.). Queria dizer que a justiça e a injustiça, o bem e o mal devem ser sempre avaliados em função das necessidades dos homens. À pergunta se acreditava nas divindades gregas, respondeu: «sobre os deuses nada posso dizer! Porque muitas coisas nos impedem que o saibamos: a dificuldade do problema e a brevidade da vida humana». Chamamos agnóstico àquele que diz não poder afirmar com segurança se Deus existe ou não.

 

Foi expulso de Atenas acusado de ser ateu, e o seu livro Sobre os Deuses, foi queimado.

 

Os conceitos fundamentais da sua filosofia são: 

 

(1) A relatividade do conhecimento «O Homem é a medida de todas as coisas»;

(2) A Identidade do Verdadeiro e do Falso;

(3) Valor prático da sabedoria e a importância da educação

(4) Agnosticismo teológico (a impossibilidade de saberes se os deuses existem ou não, assim como de tudo o que lhes diga respeito).

 

2. Górgias (485-410 a.C.)

 

Para Platão, Górgias era a personificação da Retórica, sendo aliás apontado como o seu criador.

 

Na sua obra Da Natureza, ou seja do Não-Ser, defende a inexistência de qualquer critério absoluto para o conhecimento e a comunicação, com base em três princípios fundamentais:

 

(1) Nada Existe;

 

(2) O que existe é inconcebível;

 

(3) O conhecimento é incomunicável. Constatando a influência dos factores sociais na formação dos homens e na modelação dos seus comportamentos, a existência de uma pluralidade de culturas e modos de pensar, os sofistas acabam por defender a relatividade de todo o conhecimento e dos valores, negando a sua universalidade.

 

Com estes princípios pretende negar a possibilidade de se encontrar ou nomear um ser objetivo. O homem está a sim condenado a enredado em palavras e opiniões sobre as coisas.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:43

(6) Os Filósogos Pré-Socráticos - 2

por Carlos Mag. Costa, em 06.08.15

Fontes:

- Transcrição de partes do trabalho de: Anna Maria Casoretti

- Livro: “O Mundo de Sofia”

 

3. Escola Itálica

 

3.1. Parménides de Eléia

 

- A Natureza do Mundo

 

Parmênides, contemporâneo de Heraclito, acreditava que tudo o que existe, existiu sempre. Esta ideia estava bastante difundida entre os gregos. Tinham como evidente que tudo o que há no mundo existiu desde sempre. Do nada, nada pode nascer, pensava Parménides. E nada do que existe pode tornar-se nada.

 

Mas Parménides foi mais longe que a maior parte dos outros. Para ele, não era possível nenhuma verdadeira transformação. Uma coisa só se pode transformar naquilo que já é.

 

Parménides não tinha dúvidas de que na natureza se dão constantemente transformações. Os seus sentidos apercebiam-se do devir das coisas. Mas não conseguia fazer coincidir o que os seus sentidos registavam, com o que a razão lhe dizia. Quando foi obrigado a decidir se devia confiar nos sentidos ou na razão, decidiu-se pela razão.

 

Conhecemos a frase «Só acredito naquilo que vejo». Mas Parménides nem sequer acreditava no que via. Pensava que os sentidos nos forneciam uma imagem falsa do mundo, uma imagem que não coincidia com o que a razão diz aos homens. Enquanto filósofo, encarava a sua tarefa como o desmascarar de todas a formas de «ilusões sensoriais».

 

Podemos dizer que Parménides confiava menos nas impressões dos sentidos do que Heraclito.

 

Esta forte confiança na razão humana é designada racionalismo. Um racionalista é uma pessoa que tem uma grande confiança na razão humana, como fonte do nosso conhecimento sobre o mundo.

 

Parménides e Heráclito tinham, sob certo de vista, conceções opostas.

 

A razão de Parménides defendia que nada se pode alterar. Mas as experiências dos sentidos de Heráclito defendiam que, na natureza, se dão constantemente transformações.

 

Parménides afirma que: (a) nada se pode transformar e que (b) consequentemente as impressões dos sentidos não podem ser dignas de confiança. Heráclito, por seu turno, afirma que: (a) tudo se transforma («tudo flui») e que (b) as impressões dos sentidos são dignas de confiança.

 

- A Alma

 

Conforme Kirk, Raven e Schofield (p.222), foi no Sul da Itália que surgiram os dois mais distintos elementos da moderna conceção de filosofia: Pitágoras, representando o arquétipo do filósofo-sábio que ensina aos homens o significado da vida e da morte, e Parmênides, fundador da escola dos eleatas, que, não só condicionaram os sistemas físicos pluralistas, como, também, incidiram de maneira determinante sobre a formação da filosofia platônica e aristotélica.

 

Consta que Parménides de Eléia foi ensinado por pitagóricos que foram alunos e colaboradores diretos de Pitágoras. Assim, formula uma ideia que já estava implícita na visão pitagórica do mundo e da natureza humana: “a ideia de que a alma imortal que pode existir separada do corpo e visitar o outro mundo é a alma racional, em oposição aos sentidos e paixões que residem no corpo perecível” (CORNFORD, p.194).

 

Para Parmênides, a phýsis é o ser. Se o ser é o que permanece sempre idêntico a si mesmo, onde melhor se mostra a aparência enquanto aparência? Na mudança contínua. No deixar de ser de uma maneira para tornar-se de outra. Em outras palavras, no devir ou no incessante vir-a-ser em que as coisas se tornam outras, tornando-se o que não-são. O devir é o movimento - a kínesis – a mudança qualitativa, quantitativa e local. Por isso, o movimento é o campo principal da aparência e da opinião: as coisas parecem mudar e as opiniões mudam com elas. O devir é a aparência mutável, é o não-ser. O mutável é, pois, o não-ser (CHAUÍ, p.92).

 

Portanto, para Parmênides, aquilo que está sujeito à corrupção não é. Nunca. Se há ser, não pode haver o não-ser. O ser não tem, pois, um passado (porque em tal caso não seria mais) e nem mesmo um futuro (porque não seria ainda), mas é presente eterno sem início e nem fim. Esta é a conceção de imortalidade em Parmênides (REALE, 1993, p.109).

 

Além disso, o ser é indivisível, visto que é um Todo absolutamente pleno, contínuo, dentro do qual não há jamais nenhum vazio, nenhum intervalo, sendo uma perfeita Unidade que não admite em si nenhuma multiplicidade.

 

Finalmente, o ser é imóvel, pois, para se mover o ser deveria dispor de um espaço vazio dentro do qual teria lugar o seu movimento. Assim, o movimento é impossível. Não é apenas à alternativa do nascimento e da morte que o ser está subtraído, mas, também, a toda espécie de movimento (WERNER, p.27, tradução nossa).

 

A originalidade de Parmênides reside na sua perceção da existência de “um abismo intransponível entre o reino da Verdade atemporal e metafísica e a confusão de qualidades mutáveis que os sentidos e as opiniões dos mortais tomam erradamente por realidades” (CORNFORD, p.195). É imprescindível observar que Parmênides trará profundas transformações para o estudo do ser e a sua revolução consistirá na descoberta de exigências internas ao pensamento e na identidade destas exigências com o próprio ser. Ou seja, o ser é o foco e a consciência é sua ferramenta.

 

3.2. Pitágoras e Pitagóricos

 

- A Alma

 

Foi do coração do Orfismo que surgiu a grande figura de Pitágoras.

 

Pitágoras foi o fundador da escola itálica e o primeiro a falar do kósmos enquanto ordem. Comparado aos seus antecessores, Pitágoras traz uma inovadora forma de enxergar o universo.

 

Para Pitágoras, a phýsis era o número – ou arithmós. É bastante provável que seu vislumbre tenha ocorrido a partir da observância dos sons produzidos pela lira – instrumento utilizado em sua comunidade. Estes sons obedeciam a princípios e regras, não só na formação dos acordes, como também na concordância entre sons discordantes. Em outras palavras, os sons da lira seguiriam regras de harmonia que poderiam ser traduzidas em expressões numéricas – as proporções.

 

Ora, se o som é, na verdade, número, porque toda a realidade – enquanto harmonia ou concordância dos discordantes – não seria um sistema ordenado de proporções e, portanto, número? (CHAUÍ, p.69)

 

Cria-se, assim, sua valiosa teoria baseada nos números enquanto princípios da natureza. O Um, ou a Unidade, é a totalidade dos números e, por isso mesmo, a totalidade das coisas visíveis e invisíveis. Decorre daí uma importante elaboração cósmica onde a unidade é o princípio de permanência ou de identidade e a dualidade é o princípio da mudança, do devir ou vir-a-ser.

 

O número exprime a própria essência das coisas. Nas palavras de Werner, “os números são os princípios eternos, viventes no seio da harmonia.” Se quisermos ir além desta harmonia original, ainda acima dela, será necessário invocar a unidade que está na origem do número, a mônada criadora, que dá origem a todos os seres (WERNER, p.24).

 

No entanto, a harmonia não reina igualmente em todas as partes do universo: ela existe, sobretudo, na parte superior, onde está marcada pela revolução dos astros.

 

Pitágoras e sua escola estabeleceram uma distinção entre o mundo dos astros, que é o mundo das realidades eternas e bem ordenadas, e o mundo “sublunar”, que é o mundo das coisas perecíveis e entregues, em parte, à desordem. Esta distinção seria adotada por Aristóteles e se manteria até o início dos tempos modernos (WERNER, p.24).

 

Apesar das aparências de desordem que o mundo inferior apresenta, é importante ressaltar que ele não deixa de estar submetido a uma lei (WERNER, p.25). E a lei é a própria ordem que perpassa todos os níveis do universo. O universo dos pitagóricos é, portanto, um kósmos. E este termo foi utilizado pelos pitagóricos, pela primeira vez, no sentido específico de ordem, sentido este que se manteria definitivamente no pensamento ocidental (REALE, 1993, p.85).

 

Ora, se a natureza numérica da phýsis ou a estrutura harmônica do mundo está presente em todas as coisas, estará presente, também, na alma, na psykhè. Segundo os doxógrafos, Pitágoras teria dito que a alma é harmonia”, significando uma unificação de muitos elementos e uma concordância dos contrários ou discordantes. Justamente por ser constituída pela mistura de muitos elementos discordantes, a alma precisa buscar a concordância entre eles e fazer com que os elementos superiores dominem os inferiores (CHAUÍ, p.69). Mais adiante veremos que esta questão dos elementos discordantes que compõem a alma é retomada por Platão, de uma outra forma, em seu Mito do Cocheiro.

 

Conhecer é, pois, encontrar a unidade de alguma coisa e o princípio de sua mudança. O número é o que produz a unidade e a diversidade das coisas, permitindo, desta maneira, que sejam conhecíveis por nossa alma. A alma é, pois, o elo de união entre os dois mundos, aquela à qual é permitido participar de duas realidades, seja do princípio de unidade, seja do princípio de mudança.

 

A alma tem, portanto, um papel a desempenhar, e este papel era ensinado nas doutrinas pitagóricas. Para muitos comentadores, Pitágoras foi certamente o primeiro filósofo a ensinar a doutrina da metempsicose, aquela segundo a qual a alma é constrangida a reencarnar-se muitas vezes em sucessivas existências corpóreas, não só em forma de homem, mas também em diversas formas de animais, para expiar uma culpa originária cometida. Os estudiosos de hoje concordam em afirmar que Pitágoras extraiu esta doutrina do Orfismo, seguramente anterior (REALE, 1993, p.87).

 

Para os pitagóricos a alma é imortal, preexiste ao corpo e continua a subsistir depois do corpo. A sua união com um corpo não só não é conforme à sua natureza, mas lhe é até mesmo contrária. A natureza da alma é divina e, portanto, eterna, enquanto a natureza de todo corpo é mortal e corruptível; a união da alma com um corpo, como já visto, é uma punição de uma obscura culpa originária por ela cometida e é, ao mesmo tempo, expiação de tal culpa. O homem deve viver não em função do corpo, que é “cárcere”, “prisão” da alma e lugar no qual paga sua culpa originária, mas em função da alma. E viver em função da alma significa viver uma vida que seja capaz de “purificá-la”, ou seja, desatá-la dos laços que, por culpa própria, ela contraiu com o corpo (REALE, 1993, p.88).

 

Assim, e conforme a confirmação que lemos também na obra de Kirk, Raven e Schofield (p.2), Pitágoras teria sido o primeiro filósofo grego a tratar explicitamente da questão da alma humana como algo de moralmente importante. Ou seja, a busca e a prática de uma vida virtuosa, juntamente com o conhecimento, seriam prerrogativas para a purificação da alma, e, a théoria, ou vida contemplativa, seria a única que poderia promover a libertação da cadeia dos nascimentos (CHAUÍ, p.68).

 

Por estas razões, a escola que Pitágoras fundou na Itália não tinha como principal escopo a pesquisa científica, mas a realização de determinado tipo de vida, com relação ao qual a pesquisa científica não era o fim, mas, antes, o meio.

 

Uma vez que o fim último era a volta ao lar original, os pitagóricos introduziram em seu cotidiano o conceito do reto agir humano para que se alcançasse uma vida em comunhão com a divindade. Conforme registra um antigo testemunho, “tudo o que os pitagóricos definem sobre o fazer e o não fazer tem em vista a comunhão com a divindade: esse é o seu princípio e toda a vida deles se ordena a esse objetivo de deixar-se guiar pela divindade” (REALE, 2004, p.29).

 

Para atingir tal fim, os pitagóricos praticavam um tipo de vida chamado de bios theoretikós”, um tipo de vida contemplativa que, posteriormente, foi chamada simplesmente de “vida pitagórica”. Buscavam a purificação na contemplação da verdade, através do saber e do conhecimento (REALE, 1993, p.89). Só o conhecimento, a gnosis, permitiria que o homem penetrasse a via que conduziria à Mathesis Suprema, a suprema sabedoria. Só o conhecimento traria a felicidade, pois a felicidade suprema consistiria na verdadeira eudaimonia da alma, na contemplação da harmonia dos ritmos do universo, ou na perfeição dos Números (FERREIRA DOS SANTOS, 2000, p.68).

 

Em resumo, e apesar do invulgar silêncio que reinava entre os pitagóricos, consegue-se depreender de seus fragmentos a seguinte escatologia:

(1) a alma é imortal e, após a morte do corpo, estará sujeita a um julgamento divino;

(2) após o julgamento, os perversos serão castigados no mundo subterrâneo; ou,

(3) haverá um melhor destino para os bons, que – se se mantiverem isentos de maldades no próximo mundo e numa posterior reencarnação – poderão finalmente alcançar as Ilhas dos Bem-Aventurados (KIRK; RAVEN; SCHOFIELD, p.248). Estes acontecimentos ocorreriam em determinados ciclos universais.

 

Temos, com Pitágoras, a primeira demonstração da imortalidade da alma na filosofia antiga. E esta demonstração decorre do fato da alma se revelar semelhante aos seres que vivem no mundo superior, contendo em si uma centelha da essência divina, o que permite que ela transite tanto pelo mundo sublunar quanto pelo mundo das realidades eternas.

 

Pelo conjunto de sua conceção do universo, pode-se dizer que o pitagorismo preparou o platonismo.

 

4. Escola Pluralista

 

4.1. Empédocles (cerca de 494-434 a.C.)

 

- A Natureza do Mundo

 

Empédocles pensava que tanto Parménides como Heráclito tinham razão numa das suas afirmações, mas que ambos se enganavam num ponto.

 

Segundo Empédocles, a grande discórdia baseava-se no fato de os filósofos terem pressuposto que apenas havia um só elemento. Se isso fosse verdade, então o abismo entre o que a razão diz e o que recebemos dos sentidos seria intransponível. A água não se pode transformar em peixe ou em borboleta. A água não se pode transformar de todo. A água pura permanece água pura para toda a eternidade. Parménides tinha razão em afirmar que nada se transforma. Simultaneamente, Empédocles estava de acordo com Heraclito, dizendo que devemos confiar nas impressões dos sentidos. Temos que acreditar no que vemos, e vemos transformações permanentes na natureza.

 

Empédocles reconheceu que a ideia de um único elemento primordial tinha que ser rejeitada. Nem a água, nem o ar se podiam transformar numa roseira ou numa borboleta. A natureza não podia ter apenas um elemento constituinte. Segundo Empédocles, a natureza é constituída por quatro elementos primordiais ou «raízes», que identifica com a terra, o ar, o fogo e a água.

 

Todas as transformações da natureza resultam do fato de os quatro elementos se misturarem e se separarem. Tudo é constituído por terra, ar, fogo e água, misturados em proporções variáveis. Quando uma flor ou um animal morrem, os quatro elementos separam-se novamente uns dos outros. Podemos apercebermo-nos dessas transformações a olho nu. Mas a terra, o ar, o fogo e a água permanecem totalmente inalterados ou intactos, apesar de todas as misturas em que estão presentes. Também não é verdade que «tudo» se altera. O que sucede é que quatro elementos diferentes se misturam e se voltam a separar, para se misturarem novamente no futuro.

 

Não foi por acaso que para Empédocles as raízes da natureza eram precisamente a terra, o ar, o fogo e a água. Antes dele, outros filósofos tinham procurado mostrar que o elemento primordial era a terra ou a água ou o fogo. Tales e Anaxímenes tinam insistido em que a água e o ar eram elementos importantes na natureza. Para os gregos, o fogo também era importante. Por exemplo, viam a importância do sol em toda a vida da natureza e, obviamente, tinham conhecimento do calor do corpo nos homens e nos animais.

 

Talvez Empédocles tenha visto arder um pedaço de madeira. Neste caso, há algo que se desagrega. Ouvimo-lo no crepitar da madeira - é a água. Algo se torna fumo – é o fogo. E vemos claramente o fogo. Quando as chamas se apagam, algo permanece – é a cinza, ou a terra.

 

Depois de Empédocles ter indicado que as transformações da natureza são produzidas através da mistura e separação dos quatro raízes, há ainda uma questão em aberto: qual é a causa pela qual os elementos se unem para que nasça uma nova vida? E o que é que contribui para que a «mistura», uma flor, por exemplo, se desagregue de novo?

 

Segundo Empédocles, há na natureza duas forças diferentes que nela agem. Designava estas forças por amor e discórdia. Aquilo que une as coisas é o amor, o que as desagrega é a discórdia.

 

Empédocles faz uma distinção importante entre elemento e força.

 

Empédocles também se dedicou à questão do que acontece quando sentimos algo. Como é que eu posso, por exemplo, «ver» uma flor? O que sucede então?

 

Empédocles pensava que os nossos olhos, tal como todas as outras coisas da natureza, são constituídas por terra, ar, fogo e água. Por isso, a terra do meu olho também apreende o que é feito de terra no que é visto, o ar apreende o que é feito de ar, o fogo dos olhos apreende o que é feito de fogo, e a água o que é feito de água. Se faltasse no olho um destes elementos, eu não poderia ver a natureza.

 

- A Alma

 

Empédocles foi o primeiro pensador que procurou resolver o confronto da aporia eleata com a jônica, tentando salvar, de um lado, o princípio de que nada nasce, nada perece e de que o ser sempre permanece e, de outro, a experiência dos fenômenos em constante modificação (REALE, 1993, p.134).

 

Empédocles introduz em sua cosmologia o amor e o ódio concebidos como forças cósmicas e, ao mesmo tempo, como causas, respetivamente, da união e da separação dos elementos. Fala da alternância entre o predomínio de uma ou de outra força, em ciclos constantes fixados pelo Destino. E, assim, predominando o amor, os elementos se recolhem em unidade; predominando o ódio, separam-se; e, entrelaçando-se os influxos do amor e do ódio, nascem as coisas. Quando fala de ódio e amor, fala de formas de energia e não das formas-sentimento por nós conhecidas.

 

O Princípio de Unidade é chamado por Empédocles de Uno ou Esfera. O amor, ao prevalecer, dissolve o kósmos e recolhe os seus elementos na Esfera indiferenciada, assim como o ódio, inserindo-se na Esfera, lança as premissas para o nascimento do kósmos. É também claro que o momento de absoluta perfeição não está no kósmos, mas, sim, na Esfera.

 

Vislumbra-se uma dualidade na qual ódio e amor são forças de mesma dimensão geradoras de um conflito eterno. Este conflito – chamado Discórdia – é a lei do mundo (CHAUÍ, p.111).

 

Além de uma bem organizada cosmologia, Empédocles fez profundas especulações sobre a origem e o destino das almas. Alguns fragmentos das Purificações apontam para a imortalidade da alma, porquanto Empédocles vislumbra que a nossa verdadeira existência se prolonga para antes do nascimento e para além da morte.

 

No corpo central das Purificações, Empédocles afirma que, à semelhança dos outros espíritos divinos (dáimones), fora, também ele, condenado à mortalidade, mas que, após um correto ciclo de encarnações, a divindade poderia ser novamente atingível. E prossegue com uma explicação não apenas do pecado, devido ao qual tanto ele como os demais teriam decaído do seu estado de graça, mas também das práticas rituais necessárias para se atingir a religião pura (KIRK; RAVEN; SCHOFIELD, p. 329, 330).

 

Com Empédocles nos aproximamos muito das conceções órficas e pitagóricas. Para Chauí (p.107), não resta a menor dúvida de que Empédocles tenha sofrido a influência da religiosidade órfica, além de ter sido discípulo dos pitagóricos.

 

Em seu Poema lustral, Empédocles não apenas defende as conceções órfico-pitagóricas, como também se apresenta como profeta e mensageiro delas. Assim, o homem, ou melhor, a alma do homem, é um dáimon que, por causa de uma culpa originária, teria sido banido do Olimpo dos bem-aventurados, jogado num corpo e ligado ao ciclo dos nascimentos.

 

Os homens que souberem purificar-se encarnarão progressivamente em existências e em vidas mais nobres, até que, livres de todo o ciclo dos nascimentos “voltarão a ser deuses entre os deuses” (REALE, 1993, p.140).

 

Interessante é a descrição que Empédocles faz da existência mortal, onde conta, em primeiro lugar, a sua descida a um lugar de suplícios no qual se encontravam reunidos outros dáimones que para lá haviam sido lançados, e, em seguida, como fora conduzido a uma gruta, onde os dáimones eram revestidos de carne e submetidos às forças contrárias que regem a existência mortal.

 

Em outros versos, Empédocles explicava o modo como um dáimon poderia, em cada vida sucessiva, ascender através de reinos da criação cada vez mais elevados, passar pela melhor forma de encarnação possível em cada um deles, e, por fim, reconquistar a sua condição original de deus. Seu próprio conceito de que o homem é um deus exilado aperfeiçoa o ensino pitagórico que lhe antecede, pois identifica a questão de um ciclo de destino humano dentro de um esquema cósmico (KIRK; RAVEN; SCHOFIELD, p.337).

 

4.2. Anaxágoras (cerca de 500-428 a.C.)

 

- A Natureza do Mundo

 

Anaxágoras não estava satisfeito com a conclusão a que se tinha chegado: que um determinado elemento primordial, a água, por exemplo, se pudesse transformar em tudo o que vemos na natureza. Também não aceitava a conceção segundo a qual a terra, o ar, o fogo e a água se transformavam em sangue ou ossos, pele ou cabelo.

 

Anaxágoras achava que a natureza era composta por ínfimas partículas que não podiam ser apreendidas pelos olhos. Segundo ele, tudo se pode dividir em partes ainda mais pequenas, havendo nessas partículas um pouco de tudo. Se a pele e o cabelo não podem nascer de uma outra coisa, então tem de haver também, segundo ele, pele e cabelo no leite que bebemos e nos alimentos que comemos.

 

Dois exemplos modernos apontam para aquilo em que Anaxágoras pensou. Com a técnica laser podemos fabricar os chamados «hologramas». Se um holograma representa, por exemplo, um carro e este holograma é em seguida fragmentado, veremos ainda a imagem de todo o carro, mesmo que já só tenhamos a parte do holograma que mostrava o para-choques. Isto sucede porque todo o motivo está presente em cada parte, mesmo a mais reduzida.

 

O nosso corpo também é basicamente formado desta maneira. Se eu raspar uma célula da pele do meu dedo, o núcleo da célula não contém apenas a descrição da minha pele. Na mesma célula, há igualmente a descrição dos meus olhos, etc. Em cada célula do corpo há uma detalhada descrição da constituição de todas as outras células do meu corpo. Em cada célula há, portanto, «algo de tudo». A totalidade encontra-se na partícula mais reduzida.

 

Anaxágoras chamou «sementes» a estes elementos infinitamente divisíveis a partir dos quais se formam os vários corpos.

 

Vimos que segundo Empédocles o amor unia entre si as várias partes que formavam os corpos na sua globalidade. Também Anaxágoras imaginava uma espécie de força que, por assim dizer, produzia a ordem e criava homens, animais, flores e árvores. Designava essa força por espírito ou razão.

 

Anaxágoras é também digno de nota por ser o primeiro filósofo em Atenas de que temos notícia. Era oriundo da Ásia Menor, mas foi viver para Atenas com cerca de quarenta anos. Aí, foi acusado de impiedade e teve de deixar novamente a cidade. Afirma, entre outras coisas, que o Sol não era nenhum Deus, mas uma massa incandescente, maior que a península do Peloponeso.

 

Anaxágoras interessava-se muito por astronomia. Acreditava que todos os corpos celestes eram feitos da mesma substância que a terra. Ficou convencido disto após ter examinado um meteorito. Por isso, era lícito pensar, segundo ele, que existissem homens noutros planetas. Além disso, esclareceu que a Lua não brilhava por si mesma, mas era iluminada pela terra. Por fim, explicou a formação dos eclipses solares.

 

- A Alma

 

Verifica-se em Anaxágoras a continuidade da perspetiva de Parmênides e de Heráclito, isto é, de que somente a Razão, ou Inteligência, pode alcançar a realidade última e originária. Verifica-se, ainda, a antiga tradição da alétheia, do não-esquecido, devido ao papel fundamental que Anaxágoras dá à memória na obtenção do verdadeiro conhecimento (CHAUÍ, p.117).

 

De acordo com Reale, há na cosmologia de Anaxágoras uma poderosa intuição concebida e expressa no âmbito da filosofia pré-socrática: a intuição de que o princípio é uma realidade infinita, separada do resto, a mais fina e mais pura, igual a si mesma e, sobretudo, inteligente e sábia, e que, justamente enquanto tal, move e ordena todas as coisas.

 

Para Anaxágoras, a força separadora, unificadora e organizadora do kósmos se diferencia dos elementos, embora seja eterna e imutável como eles. Essa força diferenciada é chamada de Noûs, ou força inteligente, pensante. O Noûs é a força que sabe ou reconhece todas as coisas, que introduz o movimento na massa primitiva, e que tem esse poder porque “não está misturado com nenhuma coisa, mas se encontra sozinho e em si mesmo”.

 

Como Deus, nas religiões hebraico-cristãs, o Noûs ou Inteligência está fora e separado do mundo. O mundo se forma a partir de um movimento rotatório ou turbilhonante que o Noûs realiza no magma primitivo, ampliando-se e estendendo-se até alcançar o todo. Sua rapidez separa o rarefeito e o denso, o frio e o quente, o úmido e o seco, o luminoso e o obscuro.

 

Para Anaxágoras, o nosso não é o único mundo existente, mas um dentre os inúmeros mundos formados pelo Noûs.

 

Como o fogo de Heráclito, o Noûs é inteligência e poder, porém, diferentemente do fogo heraclitiano, não participa do processo que realiza, mas permanece separado do mundo e do magma primitivo, movendo-os de fora. É um motor cósmico feito de matéria diáfana incorruptível e responsável pela vida universal e por sua ordem (CHAUÍ p.118).

 

Kirk, Raven e Schofield (p. 383) confirmam que, para Anaxágoras, o Espírito é infinito e autônomo, e não se mistura com o que quer que seja, mas existe sozinho, de per si. É a mais sutil e a mais pura de todas as coisas, possuindo um conhecimento total de tudo e o maior poder sobre tudo. Foi ele, o Espírito, o Noûs, que teve poder sobre toda a revolução, dando-lhe, no início, o impulso necessário.

 

Nas palavras célebres de Anaxágoras, “todas as coisas foram colocadas em ordem pela Inteligência” (WERNER, p.36).

 

Conforme Werner (p.36), verifica-se em Anaxágoras o primeiro esforço filosófico para desvelar a noção de espírito. Ao afirmar que a Inteligência não está mesclada a nada, que ela não entra em nenhuma composição, marcando sua absoluta independência nos confrontos de tudo aquilo que não é ela mesma, Anaxágoras exprimiu o caráter próprio do espírito, em oposição às coisas materiais. E, sobretudo, Anaxágoras concebe a Inteligência como a causa ordenadora das coisas: a verdadeira causa não são os elementos materiais, mas, sim, a Inteligência, que dispõe a matéria conforme as leis de harmonia. Esta ideia produziria uma profunda impressão sobre o jovem Sócrates, instruído na escola que Anaxágoras havia fundado em Atenas e que foi a base do novo desenvolvimento que tomaria o pensamento humano.

 

4.3. Demócrito (cerca de 460-370 a.C.)

 

- A Natureza do Mundo

 

Demócrito foi o último grande filósofo da natureza.

 

Demócrito concordava com os seus predecessores ao afirmar que as transformações observáveis na natureza não significavam que algo se alterasse realmente. Admitiu, portanto, que tudo tinha que ser composto de elementos pequenos e invisíveis, eternos e imutáveis. Demócrito designava estas pequenas partículas por átomos.

 

O termo «átomo» significa «indivisível». Para Demócrito, era fundamental afirmar que aquilo a partir do qual tudo é formado não pode ser dividido em partes cada vez mais pequenas. Se os átomos pudessem ser constantemente divididos em partes cada vez mais pequenas, a natureza teria começado a fluir como uma sopa cada vez mais líquida.

 

Os elementos constitutivos da natureza tinham ainda de se conservar eternamente, porque nada pode nascer do nada. Nisto, Demócrito estava de acordo com Parménides e os eleatas. Além disso, os átomos eram sólidos e compactos. Mas não podiam ser iguais. Porque se os átomos fossem iguais, não teríamos uma explicação válida para o fato de poderem ser combinados de modo a formarem tudo, desde papoilas e oliveiras a pele de cabra e cabelo humano.

 

Segundo Demócrito, existe uma quantidade finita de átomos diferentes na natureza. Alguns são redondos e lisos, outros são irregulares e curvos. E precisamente porque têm formas tão diversas, podem ser combinados para formarem corpos completamente diversos. Mesmo sendo numerosos e diferentes, todos são eternos, imutáveis e indivisíveis.

 

Quando um corpo, por exemplo, uma árvore ou um animal morre e entra em decomposição, os seus átomos dispersam-se e podem ser utilizados de novo em novos corpos. Os átomos movem-se no espaço vazio e agregam-se para formar as coisas que vemos à nossa volta.

 

Hoje, podemos dizer que a teoria de Demócrito estava certa. A natureza é de fato formada por diversos átomos, que se combinam uns com os outros e se separam de novo.

 

Demócrito não tinha acesso aos aparelhos eletrónicos do nosso tempo. O seu único instrumento era a razão. Mas a razão não lhe deixava nenhuma alternativa. Se aceitarmos que nada se pode alterar, que nada surge do nada e que nada desaparece, nesse caso a natureza tem de ser formada por elementos constitutivos minúsculos que se combinam e se separam uns dos outros.

 

Demócrito não tinha em conta uma «força» ou um espírito que interviesse nos processos naturais. As únicas coisas que existem, segundo ele, são os átomos e o espaço vazio. Dado que ele só acreditava no que é «material», denominamo-lo materialista.

 

Nos movimentos dos átomos não há uma finalidade consciente. Isso não significa que tudo o que acontece seja ao «acaso», porque tudo segue as leis constantes da natureza. Demócrito achava que tudo o que acontece tem uma causa natural, uma causa que reside nas próprias coisas.

 

Segundo Demócrito, a teoria atomista esclarecia também as nossas sensações. A perceção que temos deve-se ao movimento dos átomos no vazio. Quando vejo a lua, o que acontece é que os «átomos lunares» atingem o meu olho.

 

Com a sua teoria atomista, Demócrito pôs um ponto final provisório na filosofia grega da natureza. Estava de acordo com Heraclito quando pensava que, na natureza, tudo flui, porque as formas vêm e vão. Mas, por detrás de tudo o que flui, há algo eterno e imutável que não flui: os átomos, segundo Demócrito.

 

- A Alma

 

E a alma? Não pode ser constituída por átomos, por «coisas» materiais?

 

Para Demócrito a alma era constituída por «átomos da alma» redondos e lisos. Quando um homem morre, os átomos da alma dispersam-se em todas as direções e podem dar vida a outra alma.

 

Isto significa que para Demócrito o homem não possui uma alma imortal. Este é um pensamento partilhado por muitas pessoas. Acreditam, como Demócrito, que a alma está ligada ao cérebro, e que não podemos ter nenhuma forma de consciência quando o cérebro se decompõe.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:16

(5) Os Filósofos Pré-Socráticos - 1

por Carlos Mag. Costa, em 06.08.15

Fontes:

- Transcrição de partes do trabalho de: Anna Maria Casoretti

- Livro: “O Mundo de Sofia”

 

1. A busca dos Princípios

 

Os primeiros filósofos gregos são designados por «filósofos pré-socráticos» ou «filósofos da natureza» porque se interessaram sobretudo pela natureza a pelos processos físicos.

 

Os filósofos da natureza deram os primeiros passos em direção a um modo de pensar científico. Assim, contribuíram para que a filosofia se libertasse da religião e abriram caminho a toda a posterior ciência da natureza.

 

Os primeiros filósofos buscavam, entre outras respostas, os princípios das modificações, das transformações fenoménicas, do nascimento e morte das coisas. Admiravam-se com a perpétua instabilidade das coisas, sua aparição e seu desaparecimento, sua geração e corrupção. Ou seja, com a mudança.

 

Os primeiros filósofos, e todos os demais filósofos depois deles, se preocuparam e se interessaram pela kínesis, ou o devir incessante da natureza.

 

Kínesis é a palavra grega que indica a mudança incessante, o movimento todas as mudanças que um ser pode sofrer, assim como o nascer e o perecer.

 

Além das questões relacionadas com a kínesis, existiam também outras preocupações:

- Qual a origem das coisas?

- Como um único princípio poderia dar origem à multiplicidade das coisas?

- Como o múltiplo retornaria ao uno?

 

Entre várias perguntas, encontravam-se unânimes preocupações com a arché e com a phýsis.

 

Arché significa aquilo que está no começo, no princípio, na origem de alguma ação. A arché é o que vem e está antes de tudo, no começo e no fim de tudo, o fundamento, o fundo imortal, imutável e incorruptível de todas as coisas, que as faz surgir e as governa. É a origem, não como algo que está no passado, mas, sim, como aquilo que, aqui e agora, dá origem a tudo, perene e permanentemente.

 

Os primeiros filósofos buscavam a arché, o princípio absoluto - primeiro e último - de tudo o que existe.

 

O significado da phýsis às vezes é confundido com o da arché, pois a phýsis é a fonte originária de todas as coisas, a força que as faz nascer, brotar, desenvolver-se, renovar-se incessantemente; é a realidade primeira e última, subjacente a todas as coisas de nossa experiência. É tudo o que é primário, fundamental e permanente, em oposição ao que é segundo, derivado e transitório. A phýsis, na verdade, é a manifestação visível da arché, o modo como esta se faz percebida. A phýsis é o manifesto e não oculto, é a forma, portanto, que torna visível a arché invisível. (CHAUÍ, p.47).

 

Estes conceitos são de fundamental importância para se compreender como se construíram os primeiros sistemas metafísicos dos principais pré-socráticos, assim como suas primeiras conceções sobre a psykhè dentro destes sistemas. Mais adiante, em Platão, veremos como estas conceções se encontram e tomam a forma de uma cosmologia coerente.

 

Foi na Jônia, colônia grega da costa asiática, efetuaram-se os primeiros esforços de caráter completamente racional para descrever a natureza do mundo.

 

2. Os Jônicos e os Eleatas

 

2.1 Tales de Mileto

 

- Natureza do Mundo

 

O primeiro filósofo de que temos notícia é Tales, da colónia grega de Mileto, na Ásia Menor. Ele viajava frequentemente.

 

Diz-se que em certa vez, teria medido a altura de uma pirâmide no Egito, medindo a sombra da pirâmide no momento em que a sua própria sombra estava tão alta como ele.

 

Para Tales, a água era a origem de todas as coisas.

 

Afirma-se que Tales disse que «tudo está cheio de deuses», não de deuses homéricos.

 

- A Alma

 

Para Tales, o princípio vital ou psykhè seria uma força motriz ou cinética, isto é, uma força capaz de kínesis, capaz de mover-se e de mover outras coisas (CHAUÍ, p.57).

 

A alma, quer fosse associada à respiração e ao sangue, quer ao fluido espinal, já era considerada por muitos como fonte de consciência e de vida (KIRK; RAVEN; SCHOFIELD, p.94).

 

O diferencial de Tales foi enfatizar o caráter da alma como algo cinético. Isto pode ser percebido em duas famosas elaborações atribuídas a Tales:

 

(1) sua comparação do ímã com a alma: Tales conclui que, pelo fato do ímã deslocar o ferro, ele possuiria uma “alma” própria, pois só a alma teria esse caráter cinético intrínseco. A esse respeito, disse Aristóteles:

 

“Parece que também Tales considerou a alma como princípio motor, se disse, segundo o que se afirma dele, que o ímã tem uma alma, porque move o ferro”. (ARISTÓTELES, Da alma, 5, 411 a 7s, apud Kirk; Raven; Schofield, 2008, p.93)

 

(2) sua comparação da água, enquanto phýsis, com a alma. Para Tales, a phýsis era a água, ou melhor dizendo, a qualidade da água, o úmido. Assim, a água é princípio do devir, da kínesis. É dotada de movimento próprio, ou seja, é automotora ou se movente: transforma-se a si mesma em todas as coisas e transforma todas as coisas nela mesma. Segundo Aristóteles, Tales teria afirmado que a água é a “alma motora do kósmos”, novamente numa clara alusão ao princípio de movimento próprio que existe na alma.

 

Nota-se, além deste possível vislumbre metafísico, uma visível mudança de Tales em relação aos antigos mitos. Os deuses de Tales não vivem em alguma região remota e inacessível, mas, ao contrário, tudo que nos circunda está cheio de deuses, cheio de forças viventes e dos efeitos de seu poder (JAEGER, 1992, p.28).

 

2.2 Anaximandro

 

- A Alma

 

Com Anaximandro de Mileto notam-se mudanças importantes em relação ao pensamento de Tales e uma cosmologia visivelmente elaborada.

 

Para Anaximandro, o nosso mundo é apenas um dos muitos que nascem de algo e perecem em algo que ele denominou de infinito. É difícil dizer o que queria significar com o termo infinito, mas sabemos que não pensava, ao contrário de Tales, numa substância totalmente determinada. Talvez quisesse dizer que aquilo, a partir do qual tudo é criado, tem de ser completamente diferente de tudo o que é criado. E visto que tudo o que é criado é finito, tudo o que lhe é anterior ou posterior tem de ser infinito.

 

Para ele, o princípio originário é o ápeiron, ou o indeterminado, o infinito, o eterno. Não é a água ou qualquer um dos elementos, mas é uma outra natureza, ilimitada, da qual são engendrados todos os céus e todos os mundos que neles se encontram. O princípio é eterno, portanto muito superior ao que eram os antigos deuses que, apesar de imortais, não eram eternos, visto que haviam sido gerados.

 

Apresenta-se, também, como novidade, uma clara distinção entre a eternidade do princípio e a “ordenação do tempo”, isto é, a distinção entre a perenidade imortal do princípio e o devir como ordem temporal da geração e corrupção das coisas.

 

Além disto, Anaximandro concebe a ordem do tempo como uma lei necessária – por isso fala em injustiça e reparação justa – segundo a qual os elementos se separam do princípio, formam a multiplicidade das coisas opostas e, depois, retornam ao princípio, dissolvendo-se nele para pagar o preço da injusta individuação (CHAUÍ, p.60). Em outras palavras, Anaximandro procura explicar como do indeterminado e ilimitado surgem as coisas determinadas e limitadas, ou, melhor dizendo, como se dá a origem das coisas individualizadas, de suas diferenças e oposições.

 

Há em Anaximandro o vislumbre de um princípio de dualidade, que permitiria a coexistência de um princípio imutável juntamente com a multiplicidade sujeita à corrupção.

 

Em sua cosmologia, Anaximandro descreve que o mundo surge de um movimento circular turbilhonante que irrompe em diversos pontos do ápeiron (o indeterminado). A partir deste movimento, separam-se do indeterminado as duas primeiras determinações ou qualidades: o quente e o frio, dando origem ao fogo e ao ar. E, em seguida, separam-se o seco e o úmido, dando origem à terra e à água. Essas determinações combinam-se ao lutar entre si e os seres vão sendo formados como resultados desta luta. O devir é esse movimento ininterrupto da luta entre os contrários e terminará quando forem todos reabsorvidos no ápeiron.

 

A origem do mundo é, pois, explicada como uma guerra incessante que travam entre si os elementos no interior do ápeiron

 

A ideia subjacente é de que o Tempo sempre descobrirá e vingará todo ato de injustiça, mesmo sem a cooperação humana.

 

Jaeger evidencia que o quanto acima nos revela uma norma universal que pede um total acatamento, pois não é nada menos que a própria justiça divina. E parece não ser improvável que Anaximandro tenha, efetivamente, chamado de “divino” ao Indefinido (KIRK; RAVEN; SCHOFIELD, p.117).

 

Anaximandro postula que o universo deve ter um sentido racional. Além disso, acreditava em inumeráveis mundos, o que indica que sua ideia sobre o Ilimitado era perfeitamente séria.

 

Para Giovanni Reale, parece inegável que haja no pensamento de Anaximandro uma profunda infiltração de conceções religiosas, provavelmente órficas, e, conforme o autor, isso teria sido notado de diversos modos por vários pensadores. Da mesma forma, parece inegável um certo pessimismo de fundo na cosmologia de Anaximandro, que vê ligadas ao nascimento uma “imposição” e uma “culpa”, bem como na morte uma expiação, embora tudo isto seja temperado pelo pensamento dominante de uma “justiça que tudo equilibra” (REALE, 1993, p.56).

 

2.3 Anaxímenes (cerca de 570-526 a.C.)

 

- Natureza do Mundo

 

Para Anaxímenes, o ar é o elemento primordial de todas as coisas. Anaxímenes conhecia, naturalmente, a teoria de Tales sobre a água. Para Anaxímenes, a água era ar condensado. De modo análogo, pensava que o fogo era ar rarefeito.

 

Segundo Anaxímenes, a terra, a água e o fogo tinham origem no ar.

 

Anaxímenes partilhava, portanto, a conceção de Tales, segundo a qual um elemento primordial estava na origem de todas as transformações na natureza.

 

- A Alma

 

Considerando o ar enquanto princípio vital, Anaxímenes teria escrito que “assim como nossa alma, ou princípio vital, que é ar, nos governa e nos sustenta, assim também o sopro e o ar abraçam todo o cosmos”. Percebe-se claramente a alusão à ideia de uma força interna, energia auto-gerada e auto-movente.

 

Os três filósofos de Mileto acreditavam num, e apenas num, elemento primordial, a partir do qual todas as outras coisas eram craidas.

 

2.4 Heráclito de Éfeso (cerca de 540-480 a.C.)

 

- A Natureza do Mundo

 

Segundo Heraclito, as transformações constantes eram a verdadeira característica da natureza. Podemos dizer que Heraclito confiava mais nas impressões dos sentidos do que Parménides.

 

Para Heraclito, «tudo flui», tudo está em movimento, e nada dura eternamente. Por isso, «não podemos tomar banho duas vezes nas águas do mesmo rio». Porque quando entramos no rio pela segunda vez, tanto nós como o rio estamos mudados.

 

Heráclito explicou, também, que o mundo é caraterizado por contrários constantes. Se nunca estivéssemos doentes, não compreenderíamos o que é a saúde. Se nunca tivéssemos fome, não gostaríamos de comer. Se nunca houvesse guerra, não saberíamos apreciar a paz, e se nunca fosse Inverno, não saberíamos quando chega a Primavera.

 

Tanto o bem como o mal ocupam um lugar necessário no todo, dizia Heráclito. Sem o jogo permanente entre contrários, o mundo terminaria.

 

«Deus é o dia e é a noite, o Inverno e o Verão, a guerra e a paz, a saciedade e a fome», dizia. Ele utiliza aqui a palavra «Deus», mas não se refere aos deuses de que falam os mitos. Segundo Heráclito, Deus, ou o divino, é algo que abrange tudo. Sim, Deus está patente justamente na natureza, que é contraditória e está em transformação constante.

 

Em vez do termo «Deus», Heráclito usa frequentemente a palavra grega logos, que significa razão. Mesmo que nós, homens, não pensemos sempre de modo igual ou não tenhamos o mesmo bom-senso, tem de haver uma espécie de «razão universal» que governe tudo o que acontece na natureza. Esta razão universal, ou «lei universal» é comum a todos, e todos os homens se devem orientar por ela. No entanto, a maior parte deles vive segundo a sua própria razão particular, segundo Heráclito.

 

Em todas as transformações e contradições da natureza, Heráclito via uma unidade ou totalidade. Aquilo que está na origem de tudo, era designado por ele de «Deus», ou logos.

 

- A Alma

 

Com outro jônico, Heráclito de Éfeso, a cosmologia dos pré-socráticos atinge uma notável profundidade, principalmente pela introdução da “Razão” como arché de todas as coisas. Ou seja, o mundo passa a ser entendido como um cosmos, ou uma ordem racional, porque seu princípio é a própria razão, o chamado Lógos.

 

É considerado por muitos o mais eminente pensador pré-socrático, por formular o problema da unidade permanente do ser diante da pluralidade e mutabilidade das coisas particulares e transitórias. Estabeleceu a existência de uma lei universal e fixa (o Lógos), regedora de todos os acontecimentos particulares e fundamento da harmonia universal.

 

Em sua cosmologia, Heráclito aponta, em primeiro lugar, para a perene mobilidade de todas as coisas que são: nada permanece imóvel e nada permanece em estado de fixidez e estabilidade, mas tudo se move, tudo muda, tudo se transforma, sem cessar e sem exceção (REALE, 1993, p.64). O movimento cria tensão, e da tensão entre os opostos nasce a harmonia do mundo, “pois cada contrário nasce do seu contrário e faz nascer o seu contrário”. O um é múltiplo e o múltiplo é um.

 

Essa afirmação nuclear do pensamento de Heráclito não deve ser confundida com aquela vista em Anaximandro. Para Anaximandro, há uma unidade primordial que, mantendo-se em sua unidade eterna dá origem à multiplicidade das coisas por meio de movimentos de separação e diferenciação. Ou seja, a unidade primordial não se confunde com a multiplicidade nascida dela. Já, para Heráclito, a própria unidade primordial é múltipla, o um existe enquanto múltiplo (CHAUÍ, p.83).

 

Dentro de seu estudo das origens, é importante observar que Heráclito foi o primeiro a mostrar com clareza que, para se conhecer a estrutura do cosmos, seria relevante conhecer a natureza da “alma” (KIRK; RAVEN; SCHOFIELD, p.2).

 

Como os milesianos Tales e Anaxímenes já haviam feito, ele também identificou a natureza da alma com a natureza do princípio, mas, diferentemente daqueles, postulou que seu princípio seria o fogo (REALE, 1993, p.70).

 

Para Heráclito, a alma é feita de um tipo especial de “fogo”, que percorre todo o corpo fazendo com que este se mova. Não é o fogo comum que conhecemos, mas, sim, um protótipo do que hoje chamamos de “energia” (COOPER, p.109).

 

Deste modo, o fogo foi naturalmente concebido como verdadeiro constituinte das coisas, determinando ativamente a sua estrutura e comportamento, e garantindo não apenas a oposição das coisas, mas, também, a sua unidade. Este fogo foi considerado por Heráclito como centro motor dos processos cosmológicos (KIRK; RAVEN; SCHOFIELD, p.206).

 

É importante salientar que apenas as almas superiores racionais são feitas deste fogo cósmico. Sem esta distinção, pareceriam contraditórias as passagens onde Heráclito nos fala da alma como sendo uma mistura de água, ar e fogo. Existe, portanto, uma constituição anímica formada pelos três elementos, mas, conforme palavras do próprio Heráclito, “a alma será tanto mais racional quanto mais nela prevalecerem as medidas de fogo sobre as de água e de ar”.

 

Pela respiração, a alma absorve o fogo e por isso, quando o ritmo da respiração baixa, sua capacidade de conhecimento também baixa: advém o sono e o sonho. Também baixa quando a medida de água suplanta a de fogo: é a embriaguez, a doença. Para Heráclito, o senso comum se parece com o sono e com a embriaguez, com a alma “bárbara” que não sabe ver, ouvir, falar ou pensar (CHAUÍ, p.86).

 

Assim, a alma compõe-se de fogo; provém da umidade e nesta se converte, numa absorção total que é para ela a morte. Seguem alguns fragmentos de Heráclito, citados por Kirk, Raven e Schofield:

 

“Para as almas, a morte é transformarem-se em água, para a água, a morte é transformar-se em terra; a água nasce da terra, e da água, a alma” (frag. 36).

 

“Uma alma seca é mais sábia e melhor” (frag. 118).

 

Estes fragmentos de Heráclito são reveladores: mostram não apenas que a alma é ígnea, mas, também, que desempenha um certo papel no grande ciclo da mudança natural. Ela tem origem na umidade e é destruída quando se transforma inteiramente em água. A alma eficiente, racional, é seca, isto é, ígnea. Uma alma que está úmida encontra-se diminuída na sua capacidade e faz com que o seu possuidor se comporte infantilmente, sem discernimento ou força física. Desta forma, tem-se a confirmação de que o intelecto é explicitamente localizado na alma (KIRK; RAVEN; SCHOFIELD, p. 211).

 

Quanto à profundidade da medida da alma, Heráclito a considera como uma porção representativa do fogo cósmico – que comparado com o individual é, evidentemente, de enorme grandeza. Assim, para Heráclito, não há limites para a medida da alma: “Não é possível descobrir os limites da alma, mesmo percorrendo todos os caminhos: tão profunda medida ela tem” (HERÁCLITO, frag. 45, apud Kirk; Raven; Schofield, p.211).

 

Para Heráclito, portanto, a alma-fogo está aparentada com o mundo-fogo, sendo um fragmento adulterado do fogo cósmico, circundante e possuidora, em certa medida, do poder diretivo deste fogo.

 

Há uma segunda ordem do pensamento heraclitiano que visivelmente se liga a uma dimensão religiosa, pois há certos pensamentos de ordem ética que pedem um certo tipo de comportamento para que a alma se mantenha pura. Depreende-se de alguns de seus fragmentos, por exemplo, que a felicidade do homem não pode consistir nos prazeres do corpo:

 

“Difícil é a luta contra o desejo, pois o que este quer, compra-o a preço da alma”. (HERÁCLITO, frag. 85)

 

Apesar de que em sua cosmologia Heráclito não aceite um princípio de dualidade que distinga o um do múltiplo, a nível microcósmico parece ser evidente sua crença numa dualidade entre corpo e alma, como se pode verificar nos fragmentos abaixo:

 

“De noite, o homem acende uma luz para si próprio, ao extinguir-se-lhe a visão; em vida, está em contato com o que é morto” (frag. 26).

 

E, também:

 

“As almas virtuosas não se transformam em água quando da morte do corpo, mas sobrevivem para, eventualmente, se juntarem ao fogo cósmico” (frag. 25, 63).

 

“Imortais mortais, mortais imortais, vivendo a morte daqueles, morrendo a vida daqueles” (frag. 62).

 

Além disto, percebe-se na linguagem heraclitiana a influência da crença órfica segundo a qual a vida do corpo seria a mortificação da alma e a morte do corpo seria a vida da alma. Da mesma forma como naquelas crenças, Heráclito admitiu prêmios e castigos depois da morte e, portanto, uma imortalidade pessoal, como expressamente diz o seu fragmento 27:

 

“Depois da morte aguardam os homens coisas que estes não esperam e nem sequer imaginam” (frag. 62).

 

Conforme Marilena Chauí (p.105), a revolução heraclitiana consiste em exigir que o conhecimento do kósmos seja antecedido pelo conhecimento da alma. Assim, conhecer deixa de ser somente pensar e passa a envolver, também, uma sabedoria prática ligada à prudência, isto é, um agir que se fundamenta na sabedoria e na virtude.

 

“Através de sua alma, que é um sopro inflamado, de mesma essência que o fogo divino, o homem participa do princípio universal. Seu esforço deve ser o de manter em si o fogo vivo, de tal forma que ele reste em comunicação com o todo das coisas”. (HERÁCLITO, apud Charles Werner, p.21, tradução nossa)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:10

(4) O Orfismo

por Carlos Mag. Costa, em 06.08.15

Fontes:

- Transcriição de partes do trabalho de: Anna Maria Casoretti

- Wikipédia

 

 

A religião exerceu uma profunda influência na gênese da filosofia grega, e, por consequência, na filosofia ocidental.

 

Mas quando se fala da religião helênica, se faz necessário distinguir entre a religião pública, que teve seu modelo na representação dos deuses e do culto que foi legado por Homero, e adotada pela maioria da população pela sua simplicidade explicativa dos fenômenos naturais e humanos, antropomorfizando-os, e a chamada religião dos mistérios. Apesar de serem religiões com pontos em comum, há importantes diferenças entre estas duas formas de religiosidade (como, por exemplo, a conceção de homem, do sentido da vida e o destino último da alma humana).

 

Ambas as formas de religiosidade são fundamentais para a gênese da filosofia grega, mas a segunda forma (em especial o orfismo) destaca-se muito mais nesta gênese que a primeira.

 

Nem todos os gregos consideravam críveis ou aceitáveis os pressupostos da religião pública, recheada de deuses bastante humanos. Por isso, em círculos restritos, desenvolveram-se os chamados "mistérios", com elementos da religiosidade oriental, tendo suas crenças mais logicamente enlaçadas e seus próprios rituais reconhecidamente simbólicos e com forte conteúdo arquetípico-psicológico.

 

O orfismo rejeitava os ritos antigos, nos quais os iniciados despedaçavam animais ainda vivos, para consumo do sangue e da carne, pois os orfistas eram radicalmente vegetarianos.

 

Orfismo, mais raramente orficismo, é o nome dado a um conjunto de crenças e práticas religiosas originárias do mundo grego helenista, bem como pelos trácios, associada com a literatura atribuída ao poeta mítico Orfeu, que desceu ao Hades (deus do mundo inferior e dos mortos) e voltou.

 

Na mitologia grega, Orfeu era poeta e médico. Era o poeta mais talentoso que já viveu. Quando tocava sua lira que seu pai lhe deu, os pássaros paravam de voar para escutar e os animais selvagens perdiam o medo. As árvores se curvavam para pegar os sons no vento.

 

Enquanto a conceção tradicional, desde Homero, considerava o homem com uma alma desconhecida, que se perdia na região do Hades após a morte, quase como um fim total da existência humana, o orfismo proclama a imortalidade da alma, sendo esta o que dá a personalidade do homem, herdeira de uma história e de um trajeto evolutivo, sempre se aperfeiçoando nesta e em inúmeras outras vidas, até que consiga se assemelhar ao máximo a Deus.

 

As obras modernas de história da religião referem-se ao Orfismo como uma comunidade religiosa bem organizada cujos princípios teriam vindo provavelmente do Oriente.

 

Supõe-se que esta comunidade tenha ensinado a primeira religião revelada; teria sido, na verdade, uma verdadeira igreja com tudo o que um cristão consideraria próprio de uma igreja. Havia regras para a purificação do homem dos pecados que este havia cometido. Havia também regras para abster-se de carne e seguir uma alimentação puramente vegetariana, conduzindo a um ritual disciplinar da dieta. Junto com prescrições especiais para abster-se de toda a forma de derramamento de sangue e certas regras ascetas de abstinência, havia um mandamento que ordenava a justa condução da vida.

 

Segundo a crença fundamental de seus seguidores, a vida terrena seria uma simples preparação para uma vida mais elevada, que poderia ser merecida por meio de cerimônias e ritos purificadores que constituíam o arcabouço secreto da escola.

 

Essa crença passou para outras escolas filosóficas da Grécia antiga, como a escola pitagórica e a escola platônica. Na República (II.364e), Platão menciona uma série de tratados oferecidos pelos “poetas errantes de Museu e Orfeu”, nos quais era ensinada uma religião catártica e os seus respetivos rituais, chamados teletai (i.e., iniciações). Os tratados traziam conselhos práticos acerca dos diversos métodos que conduziriam à absolvição dos antigos pecados do indivíduo ou dos seus antepassados (JAEGER, 1991, p.21).

 

Os mistérios órficos eram, portanto, essencialmente, rituais de purificação para que a alma do poeta, do vidente e do legislador não fosse submetida às águas do esquecimento (léthe), para que não se esquecesse do que lhe era transmitido pelo divino. Esses rituais de purificação se baseavam na crença na imortalidade da alma, sendo que a ascensão seria conseguida após muitas reencarnações ou transmigrações, e a finalidade ritualística era justamente purificar a alma do iniciado para acelerar sua libertação da “roda dos nascimentos” (CHAUÍ, p.65).

 

O orfismo é particularmente importante porque introduz na civilização grega uma nova interpretação da existência humana (Reale & Antiseri, 1990).

 

A conceção grega da alma começou a desenvolver-se no século VI a.C, quando se passou a crer que a alma era divina e tinha um destino metafísico.

 

Assim, a religião órfica tomou a forma de uma forma de vida para muitos gregos. (JAEGER, 1992, p.63).

  

O núcleo fundamental das crenças ensinadas pelo Orfismo consistia nas seguintes proposições:

 

(a) No homem vive um princípio ou uma potência divina, um dáimon, entidade que governa o destino da alma de cada um e que, com a alma, vem habitar em um corpo em consequência de uma culpa originária;

 

(b) O dáimon e a alma existem antes do nascimento do corpo e subsistem depois da morte corporal, e estão destinados a reencarnar-se sempre de novo em corpos sucessivos através de uma série de renascimentos a fim de que ocorra a purificação da alma e a sua consequente libertação dos renascimentos;

 

(c) A vida órfica, ou iniciação aos mistérios sagrados, com as suas práticas de purificação, ensina a alma a ouvir os conselhos do seu dáimon, assegurando a sua purificação e possibilitando ao homem libertar-se do ciclo dos nascimentos;

 

(d) Aquele que não se purifica continuará pagando por suas faltas incessantemente, o contínuo renascer em corpos sucessivos sendo a sua punição;

 

(e) Aquele, entretanto, que se inicia nos mistérios e segue os ritos, não só se purifica, mas prepara-se para recompensas na vida futura imortal, pois o destino dos homens é “regressar ao divino”. Saber padecer e dispor-se a purificar-se constituem a educação e o itinerário da alma para alcançar seu destino segundo a justiça reparadora de todas as culpas.

 

A alma, portanto, tendo uma origem divina e sendo imortal, deve tomar consciência de si mesma e elevar-se pela purificação para fazer jus à imortalidade que os deuses lhe concederam.

 

Exige-se que a alma permaneça pura e não se deixe contaminar pelas impurezas do corpo, a matéria mortal perecível, conseguindo este fim graças a uma vida de elevação espiritual (áskesis) e aos rituais de purificação (kátharsis).

 

O novo esquema de crenças consiste, pois, numa conceção dualista do homem, que contrapõe a alma imortal ao corpo mortal e considera a alma como o verdadeiro homem ou, melhor dizendo, o que verdadeiramente vale no homem.

 

Sobre a doutrina de transmigração da alma em corpos sucessivos, também chamada de metempsicose, a opinião mais difundida dos estudiosos é a de que, efetivamente, foram os órficos a difundir sua crença na Grécia.

 

Com o Orfismo nasce a primeira conceção dualista de alma e corpo: pela primeira vez o homem vê contrapor-se em si dois princípios em luta um contra o outro, justamente porque o corpo é visto como cárcere e lugar de punição do dáimon.

 

Enfraquece-se a visão naturalista que predominava antes e, assim, o homem começa a compreender que nem todas as tendências que percebe em si são boas, e que algumas, ao contrário, devem ser reprimidas e comprimidas. É necessário purificar o elemento divino nele existente distinguindo-o do elemento corpóreo. Com isto, estão lançadas as premissas de uma revolução de toda a visão da vida ligada à religião pública: a virtude dos heróis homéricos, a areté tradicional, deixa de ser a verdadeira virtude; a vida passa a ser vista segundo uma dimensão totalmente nova.

 

Verifica-se agora um motivo autenticamente religioso na permanência da pessoa como agente responsável, tanto intelectual como moralmente, colaborador ativo de seu próprio destino, ainda que imerso nos processos naturais e universais da geração e corrupção.

 

A revolução do Orfismo é, pois, evidente: se o corpo é prisão da alma, o lugar onde esta paga a pena de uma antiga culpa e, se a reencarnação é como a continuação desta pena, é claro que a alma deve libertar-se do corpo, sendo este, justamente, o seu fim último, o prêmio que lhe compete. Assim, segundo a nova conceção, a todos os homens, sem exceção, compete um prêmio ou uma pena, segundo o modo como tenham vivido. Não há mais privilégios: todos têm o mesmo destino (REALE, 1993, p.185).

 

Sem o orfismo não se explicaria a filosofia e a doutrina de Pitágoras, nem a de Empédocles e, sobretudo, não se explicaria Sócrates e boa parte do pensamento de Platão, bem como de toda a tradição que deriva de ambos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:12

(3) Grécia Antiga

por Carlos Mag. Costa, em 06.08.15

Os gregos originaram-se de povos que migraram para a península Balcânica em diversas ondas, no início do milênio II a.C.: aqueus, jônicos, eólios e dóricos.

 

As populações invasoras são em geral conhecidas como "helênicas", pois sua organização de clãs fundamentava-se, na crença de que descendiam do herói Heleno, filho de Deucalião e Pirra.

 

Cidades-Estado

 

Desde o século VIII a.C., formaram-se pela Grécia Antiga diversas cidades independentes – cidades-Estado.

 

Em razão disso, cada cidade-Estado desenvolveu seu próprio sistema de governo, suas leis, seu calendário, sua moeda. Essas cidades eram chamadas de pólis, palavra grega que costuma ser traduzida por cidade-Estado.

 

De modo geral, a pólis compreendia uma área urbana e outra rural. A área urbana frequentemente se estabelecia em torno de uma colina fortificada denominada acrópole. Nessa área concentrava-se o centro comercial e a manufatura. Na área rural a população dedicava-se às atividades agro-pastoris.

 

Durante os séculos V e IV a.C., Atenas foi a maior e mais rica cidade da Grécia Antiga.

 

Formas de Governo

 

1. Monarquia

 

A monarquia é uma forma de governo em que o poder está nas mãos de uma única pessoa. A maioria das monarquias foram governadas por reis, geralmente com a ajuda de um conselho de assessores.

 

A palavra monarquia vem dos termos gregos monos (que significa "um") e arkhein (que significa "regra").

 

De 2000 a 1 100 a.C., a Grécia antiga foi governada pelo rei dos Micénicos, povo guerreiro que estabeleceu monarquias para governar seus reinos.

 

O rei de cada cidade-estado vivia em um palácio-fortaleza luxuoso na cidade capital.

 

2. Oligarquia

 

Entre 1100 e 800 a.C., pequenos grupos de pessoas começaram a compartilhar o poder dominante em várias cidades-estados gregas. O poder político foi muitas vezes compartilhado entre aristocratas, que herdavam a riqueza e o poder de suas famílias, e um rei.

 

Com o tempo, esse arranjo de decisões mudou.

 

As oligarquias se desenvolveram de forma que o poder político ficava nas mãos de poucos indivíduos, ricos e selecionados. Alguns desses membros do círculo governante eram de nascimento aristocrático, enquanto outros eram membros ricos da classe média – oligarquia aristocrática.

 

Com o tempo, as oligarquias começaram a desaparecer na Grécia por vários motivos.

 

3. Tirania

 

As tiranias na Grécia surgiram pela primeira vez em meados do ano 600 a.C.

 

Em muitas cidades-estados, uma crescente e rica classe média de comerciantes e fabricantes ficara descontente com seus governantes. Essa classe média exigia privilégios políticos e sociais para acompanhar sua nova riqueza, mas as oligarquias dominantes recusavam-se a conceder-lhes uma palavra a dizer no governo.

 

Várias pessoas, na sua maioria ex-líderes militares, responderam às demandas da população de classe média e prometeram fazer as mudanças que eles queriam. Apoiados pela classe média, esses indivíduos tomaram o poder dos grupos governantes. Uma vez no poder, esses líderes (ou tiranos) frequentemente reformulavam as leis, a ajudavam os pobres, cancelavam dívidas, e davam aos cidadãos que não eram nobres uma voz no governo. Como recompensa, os cidadãos presenteavam os tiranos com frequência, que por sua vez ficaram bastante ricos.

 

O último tirano importante a governar a Grécia continental foi Hípias da cidade-estado de Atenas. Em 510 a.C. uma combinação de invasores espartanos e atenienses, que se opunham ao seu governo severo, forçaram Hípias a demitir-se e deixar a Grécia.

 

Uma nova forma de governo, em que todos os cidadãos compartilhavam tomadas de decisão, eventualmente o substituiu.

 

4. Democracia

 

A democracia é uma forma de governo em que o poder está nas mãos de todas as pessoas. A palavra democracia vem do termo grego demos (que significa "povo") e kratos (que significa "poder").

 

A democracia se desenvolveu na Grécia antiga por volta de 500 a.C. na cidade-estado de Atenas, onde muitas pessoas começaram a opor-se a regra dos tiranos.

 

Os gregos tinham conflitos e diferenças entre si, mas muitos elementos culturais em comum. Falavam a mesma língua (apesar dos diferentes dialetos e sotaques) e tinham religião comum, que se manifestava na crença nos mesmos deuses. Em função disso, reconheciam-se como helenos (gregos) e chamavam de bárbaros os estrangeiros que não falavam sua língua e não tinham seus costumes, ou seja, os povos que não pertenciam ao mundo grego (Hélade).

 

O órgão principal da democracia ateniense era a Assembleia dos cidadãos.

 

A Assembleia foi aberta a todos os 30.000 a 40.000 cidadãos adultos do sexo masculino, mas geralmente apenas 5.000 pessoas compareciam. Tanto os cidadãos ricos e pobres participavam da Assembleia.

 

Este órgão se reunia cerca de 40 vezes por ano para dirigir a política externa, rever as leis e aprovar ou condenar a conduta dos funcionários públicos.

 

Membros da Assembleia chegavam a todas as suas decisões através do debate público e do voto.

 

Um órgão executivo menor mas não menos importante , o Conselho dos 500, foi o responsável pelo dia-a-dia de funcionamento do Estado. Esse corpo, cujos membros eram escolhidos anualmente em um tipo de "loteria", propunha leis e decisões da Assembleia pela força ou por decretos.

 

O Conselho dos 500 também administrou as finanças do Estado, recebeu embaixadores estrangeiros, e supervisionou a manutenção da frota de navios ateniense.

 

Educação ateniense

 

Em Atenas, apesar das mulheres também serem educadas para as tarefas de mãe e esposa, a educação era tratada de outra forma, pois até mesmo nas classes mais pobres da sociedade ateniense encontravam-se homens alfabetizados.

 

Eles eram instruídos para cuidarem não só da mente como também do corpo, o que lhes dava vantagem na hora da guerra, pois eram tão bons guerreiros quanto eram estrategas.

 

Os meninos, quando ainda pequenos - aos sete anos de idade -, já começavam as suas aprendizagens na escola e nas suas próprias casas. O Pedagogo - um escravo especial - era escolhido para os orientar.

 

As principais obras dos antigos poetas, como Homero e Hesíodo, eram decoradas nas suas aprendizagens, habitualmente acompanhadas de música.

 

Jogos Olímpicos

 

O principal evento de ligação cultural e religiosa da Grécia antiga eram os Jogos Olímpicos, criados partir de 776 a.C. sob a forma de um festival para reverenciar os deuses do Olimpo.

 

De quatro em quatro anos, os gregos das mais diversas cidades reuniam-se em Olímpia (cidade da Grécia) para a etapa final de outros festivais realizados nas cidades de Corinto, Delfos e Argos. Esta final ficou conhecida como Jogos olímpicos.

 

Estes jogos eram realizados em honra a Zeus (o mais importante deus grego) e incluíam provas de diversas modalidades esportivas: corridas, saltos, arremesso de disco, lutas corporais.

 

Além da competição desportiva havia também competições musicais e competições poéticas.

 

Os Jogos Olímpicos eram anunciados por todo o mundo grego dez meses antes de sua realização.

 

Os gregos atribuíam tamanha importância a essas competições que chegavam a interromper guerras entre cidades (trégua sagrada) para não prejudicar a realização dos jogos.

 

Pessoas dos lugares mais distantes iam a Olímpia a fim de assistir aos jogos.

 

Havia, entretanto, proibição à participação das mulheres, seja como esportistas, seja como espectadoras.

 

Religião

 

Os gregos praticavam um culto politeísta antropomórfico (crença em vários deuses com caraterísticas humanas), em que os deuses poderiam se envolver em aventuras fantásticas, tendo, também, a participação de heróis - Hércules, Teseu, Perseu, Édipo, que eram considerados divinos.

 

Não havia dogmas e os deuses possuíam tanto virtudes quanto defeitos, o que os assemelhava aos mortais em termos de personalidade.

 

Para relatar os feitos dos deuses e os feitos dos heróis, os gregos criaram uma rica mitologia.

 

Mito, do grego, significa narrar, contar. No sentido figurado significa coisa inacreditável.

 

Mitologia é a história de personagens sobrenaturais, cercados de simbologia e venerados sob a forma de deuses, semideuses e heróis, que regiam as forças da natureza, comandavam raios, ventos, rios, céus e terras, sol e lua. É o conjunto de fábulas que explicam a origem dos mitos, das divindades mitológicas, que tinham nas mãos o destino dos homens e regiam o mundo.

 

Normalmente, as cerimônias públicas, mesmo de cunho político, eram antecedidas por práticas religiosas, o que reflete a importância da religião entre os gregos antigos.

 

Mas essa religião foi superada pela filosofia.

 

Apesar da autonomia política das cidades-estados, os gregos estavam unificados em termos religiosos.

 

Entre as divindades cultuadas destacam-se:

- Zeus: senhor dos deuses e céus;

- Hades: deus do Mundo Inferior e dos mortos;

- Deméter: deusa da agricultura;

- Poseidon: deus dos mares;

- Afrodite: deusa do amor e beleza;

- Apolo: deus do sol, da música, da medicina, da poesia, do tiro com arco e dos solteiros;

- Dioniso: deus do vinho;

- Atena: deusa da sabedoria e da guerra;

- Ártemis: deusa da caça e da lua;

- Hermes: deus dos ladrões, dos viajantes, dos comerciantes e dos mensageiros;

- Hera: protetora das mulheres, deusa do casamento e da maternidade e esposa de Zeus;

- Ares: deus da guerra;

 

Além dos grandes santuários como os de Delfos, Olímpia e Epidauro, havia os oráculos que também recebiam grandes multidões, pois lá se acreditava receber mensagens diretamente dos deuses.

 

Um exemplo claro estava no Oráculo de Delfos, onde uma pitonisa (sacerdotisa do templo de Apolo) entrava em transe e pronunciava palavras sem nexo que eram interpretadas pelos sacerdotes, revelando o futuro dos peregrinos.

 

Outro fato muito interessante era a existência dos homogloditas, um pequeno povo que vivia nas áreas litorais do mediterrâneo. Eles utilizavam a argila para a construção de estatuetas como uma oferenda aos deuses gregos, geralmente ao Dioniso, deus do vinho e das festas.

 

A religião exerceu uma profunda influência na gênese da filosofia grega, e, por consequência, na filosofia ocidental.

 

Fonte: Wikipédia; Significados.com.br

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:07

(2) Escolas e Correntes de Pensamento Filosófico

por Carlos Mag. Costa, em 03.08.15

As escolas, correntes, círculos, estilos e movimentos de pensamento filosófico são muito importantes no estudo cognitivo do desenvolvimento do pensamento humano ao longo do tempo.

 

ESCOLA JÔNICA

A escola jônica foi uma escola da filosofia grega centrada na cidade de Mileto, na Jônia, nos séculos VI e V a.C. Embora a Jônia tenha sido o centro da filosofia ocidental, os filósofos que ela produziu, tinham pontos de vista tão divergentes que não se pode dizer que tenham pertencido a uma escola filosófica específica.

jonica.jpg

 

ESCOLA ITÁLICA

A escola Pitagórica, fundada por Pitágoras, foi uma influente corrente da filosofia grega, pertencendo a ela alguns dos mais antigos filósofos pré-socráticos.

italica.jpg

 

ESCOLA PLURALISTA

A escola pluralista defendia que ocorrência do movimento devia-se à existência não só de um princípio (arché), mas vários. Daí o nome de pluralistas.

pluralista.jpg

 

ESCOLA SOFÍSTICA

Os sofistas viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no logos ou discurso, com foco em estratégias de argumentação.

 

Os sofistas negam a existência da verdade, ou pelo menos a possibilidade de acesso a ela. Para os sofistas, o que existe são opiniões: boas e más, melhores e piores, mas jamais falsas e verdadeiras. Na formulação clássica de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”.

sofistica.jpg

 

ESCOLAS SOCRÁTICAS

Sócrates, conhecido somente pelo testemunho de Platão, já que não deixou nenhum documento escrito, Sócrates desloca a reflexão filosófica da natureza para o homem e define, pela primeira vez, o universal como objeto da ciência. Dedica-se à procura metódica da verdade identificada com o bem moral. Seu método se divide em duas partes. Pela ironia (do grego eironéia, perguntar) ele força seu interlocutor a reconhecer que ignora o que pensava saber. Descoberta a ignorância, tenta extrair do interlocutor a verdade contida em sua consciência (método denominado maiêutica).

socratica.jpg

 

ESCOLA PERIPATÉTICA

A escola peripatética foi um círculo filosófico da Grécia Antiga que basicamente seguia os ensinamentos de Aristóteles, com uma orientação empírica - em oposição à Academia platónica, muito mais especulativa.

peripatetica.jpg

 

ESCOLA EPICURISTA

O epicurismo é o sistema filosófico que prega a procura dos prazeres moderados para atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo, com a ausência de sofrimento corporal pelo conhecimento do funcionamento do mundo e da limitação dos desejos.

epicurista.jpg

 

ESCOLA ESTOICA

O estoicismo é uma escola de filosofia helenística fundada em Atenas por Zenão de Cítio no início do século III a.C. Os estoicos ensinavam que as emoções destrutivas resultam de erros de julgamento, e que um sábio, ou pessoa com "perfeição moral e intelectual", não sofreria dessas emoções.

estoica.jpg

 

ESCOLA CÉTICA

O cepticismo ou ceticismo é qualquer atitude de questionamento para o conhecimento, fatos, opiniões ou crenças estabelecidas como fatos. Filosoficamente, é a doutrina da qual a mente humana não pode atingir nenhuma certeza a respeito da verdade.

cetica.jpg

 

ESCOLA PLATÓNICA

O platonismo é uma corrente filosófica baseada no pensamento de Platão. Indica a filosofia de Platão cujos elementos centrais do pensamento platônico são:

- A doutrina das ideias, onde os objetos do conhecimento se distinguem das coisas naturais;

- A superioridade da sabedoria sobre o saber, uma espécie de objetivo político para a filosofia;

- A Dialética, enquanto procedimento científico.

platonica.jpg

 

ESCOLA ESOTÉRICA

O esoterismo é o nome genérico que designa um conjunto de tradições e interpretações filosóficas das doutrinas e religiões que buscam desvendar seu sentido supostamente oculto. Hoje em dia o termo é mais ligado ao misticismo, ou seja, à busca de supostas verdades e leis últimas que regem todo o universo, porém ligando ao mesmo tempo o natural com o sobrenatural.

esoterica.jpg

 

FILOSOFIA MEDIEVAL

Na Idade Média, ocorreu um intenso sincretismo entre o conhecimento clássico e as crenças religiosas. De fato, uma das principais preocupações dos filósofos medievais foi a de fornecer argumentações racionais, espelhadas nas contribuições dos gregos, para justificar as chamadas verdades reveladas do cristianismo e do islamismo, tais como a da existência de Deus, a imortalidade da alma, etc.

medieval.jpg

 

FILOSOFIA ESCOLÁSTICA

O escolástica ou escolasticismo foi o método de pensamento crítico dominante no ensino nas universidades medievais europeias de cerca de 1100 a 1500. Não tanto uma filosofia ou uma teologia, como um método de aprendizagem, a escolástica nasceu nas escolas monásticas cristãs, de modo a conciliar a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega. Colocava uma forte ênfase na dialética para ampliar o conhecimento por inferência e resolver contradições.

escolastica.jpg

 

FILOSOFIA CRISTÃ

A filosofia cristã é o conjunto de ideias filosóficas iniciadas pelos seguidores de Jesus Cristo do século II aos dias de hoje. Esta filosofia surgiu com o intuito de unir ciência e fé, partindo de explicações racionais naturais tendo o auxílio da revelação cristã.

crista.jpg

 

FILOSOFIA RENASCENTISTA

O renascimento (ou renascença), como o próprio nome indica, significa o revivescimento de algo que se considerava morto. A filosofia do renascimento cultural surge num período que foi marcado por transformações na cultura, sociedade econômica, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma rutura com as estruturas medievais. O termo é mais habitualmente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e na ciência.

renascentista.jpg

 

FILOSOFIA MODERNA

A filosofia moderna é toda a filosofia que se desenvolveu durante os séculos XV, XVI, XVII, XVIII, XIX; começando pelo Renascimento e se estendendo até meados do século XIX.

moderna.jpg

 

FILOSOFIA ILUMINISTA

O iluminismo, também conhecido como Século das Luzes e como Ilustração, foi um movimento cultural da elite intelectual europeia do século XVIII que procurou mobilizar o poder da razão, a fim de reformar a sociedade e o conhecimento herdado da tradição medieval. O fator essencial para o surgimento do iluminismo foi o descontentamento da burguesia com a estrutura vigente.

iluminista.jpg

 

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

A filosofia do século XX trouxe uma série de desenvolvimentos teóricos contrários em relação ao que se refere à validade do conhecimento através de conceitos e abstrações absolutas, isto é, afirmações universais ou leis gerais. O que é a lógica? O que é a ética? São novas perguntas que existem a partir da filosofia do século XX.

contemporanea.jpg

 

FILOSOFIA DA MENTE

A filosofia da mente é o estudo filosófico dos fenômenos psicológicos, incluindo investigações sobre a natureza da mente e dos estados mentais em geral.

mente.jpg

O conectivismo é uma teoria de aprendizagem utilizada em ciência da computação que se baseia na premissa de que o conhecimento existe no mundo ao contrário do que rezam outras teorias da aprendizagem que afirmam que simplesmente existe na cabeça de um indivíduo.

 

O eliminativismo é uma teoria filosófica que designa a conceção de que os conceitos mentais não têm lugar numa teoria adequada, e que a nossa perspetiva de senso comum sobre a mente está fundamentalmente errada, por fazer uso desses conceitos.

 

O emergentismo é uma teoria filosófica que afirma que existem níveis de realidade com propriedades diferentes: o mental surge, emerge, e depende dos processos físico-biológicos, mas suas propriedades são qualitativamente diferentes. Os processos mentais são processos cerebrais.

 

O monismo anômalo é a posição que diz que só há um único tipo de coisa existente, a qual pode ser descrita e explicada pelas leis da física. Tudo, inclusive a mente, é físico. Todavia, os fenômenos e eventos mentais não podem ser reduzidos aos fenômenos e eventos físicos. Não há diferença de natureza entre o físico e o mental, mas há diferença na conceção de cada um.

 

O interacionismo é a interação entre o indivíduo e a cultura, onde, para Vygotsky, é fundamental que o indivíduo se insira em determinado meio cultural para que aconteçam mudanças no seu desenvolvimento.

O naturalismo biológico é uma teoria monista sobre a relação entre a mente e o corpo (ou seja, o cérebro). A realidade dos fenómenos mentais é indubitável pois são também reais como os demais fenómenos biológicos, já que o pensamento é causado por outros processos biológicos e é, por sua vez, causa de outros processos biológicos.

 

O externalismo nega que fatores internos são suficientes para justificação. Para eles, alguma coisa externa tem um papel independente em justificar crenças. Assim, eles reconhecem a importância tanto de fatores internos quanto de fatores externos para justificação das crenças do sujeito.

 

O fiabilismo também chamado de "confiabilismo" é um tipo de teoria externalista da justificação epistemológica. Defende que os processos formadores de crenças não nos fornecem necessariamente conhecimento, mas antes disso, justificação.

 

O millianismo defende que os nomes têm denotação mas não têm conotação, o que significa que nomes têm referência e seu significado esgota-se na referência.

 

O descritivismo é a conceção que o conteúdo semântico de um nome próprio é uma condição descritiva -- ou conjunto de condições descritivas. Uma outra maneira de formular essa conceção é dizer que o significado de um nome próprio é dado por uma descrição definida ou conjunto de descrições definidas.

 

O prescritivismo é a doutrina ou conjunto das doutrinas  que formula ou prescreve conceitos e regras a partir da autonomia da consciência de um sujeito ou conjunto de sujeitos e que, em diversos casos, faz tábua rasa da tradição e se opõe ao costume social.

 

FILOSOFIA PÓS-MODERNA

A filosofia pós-moderna refere-se à uma tendência nova e complexa de pensamento. 

pos_moderna.jpg

O pós-modernismo, que também pode ser chamado de pós-industrial ou financeiro, predomina mundialmente desde o fim do modernismo. A humanidade é induzida é levar sua liberdade ao extremo, colocada diante de uma opção infinita de probabilidades, desde que sua escolha recaia sempre no circuito perverso do consumismo.

 

O pós-estruturalismo instaura uma teoria da desconstrução na análise literária, liberando o texto para uma pluralidade de sentidos. A realidade é considerada como uma construção social e subjetiva.

 

O desconstrucionismo é um conceito criado a partir dos trabalhos publicados por Derrida nos anos 60 e que colocam em causa a possibilidade de construção de significados linguísticos coerentes. Pela análise de uma série de textos filosóficos e literários, Derrida demonstra que, desmontando o não-dito do texto, as proposições não formuladas ou colocadas num nível inferior relativamente ao significado privilegiado pelo texto, o texto diz coisas diferentes das que diz, subvertendo as intenções significativas do autor.

 

O neoconfucionismo é uma filosofia ética e metafísica chinesa influenciada por Confúcio. Foi uma tentativa para criar uma forma mais racionalista e secular de confucionismo, rejeitando elementos místicos e supersticiosos do budismo e taoismo.

 

O epifenomenalismo é a visão segundo a qual alguns ou todos os estados mentais são meros epifenómenos (efeitos secundários ou sub-produtos) do estado físico do mundo. Então, o epifenomenalismo nega que a mente tenha qualquer influência no corpo ou em qualquer outra parte do mundo físico: enquanto que os estados mentais são causados por estados físicos, os estados mentais não têm influência nos estados físicos.

 

Fonte: Wikipédia

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:42

(1) Filosofia: Definição e Origem

por Carlos Mag. Costa, em 03.08.15

Filosofia é uma palavra grega que significa "amor à sabedoria" e consiste no estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem.

 

Filósofo é um indivíduo que busca o conhecimento de si mesmo, sem uma visão pragmática, movido pela curiosidade e sobre os fundamentos da realidade.

 

Além do desenvolvimento da filosofia como uma disciplina, a filosofia é intrínseca à condição humana, não é um conhecimento, mas uma atitude natural do homem em relação ao universo e seu próprio ser.

 

A filosofia foca questões da existência humana baseada na razão, diferentemente da religião que se baseia na revelação divina ou na fé. Desta forma, a filosofia pode ser definida como a análise racional do significado da existência humana, individual e coletivamente, com base na compreensão do ser.

 

Apesar de ter algumas semelhanças com a ciência, muitas das perguntas da filosofia não podem ser respondidas pelo empirismo experimental.

 

A filosofia pode ser dividida em vários ramos:

- A “filosofia do ser”, por exemplo, inclui a metafísica, ontologia e cosmologia, entre outras disciplinas.

- A filosofia do conhecimento inclui a lógica e a epistemologia.

- Enquanto filosofia do trabalho está relacionada a questões da ética.

 

De acordo com Platão, um filósofo tenta chegar ao conhecimento das Ideias, do verdadeiro conhecimento caracterizado como episteme, que se opõe à doxa, que é baseado somente na aparência.

 

Nos dias de hoje a palavra "filosofia" é muitas vezes usada para descrever um conjunto de ideias ou atitudes, como por exemplo: "filosofia de vida", "filosofia política", "filosofia da educação", "filosofia do reggae" e etc.

 

Origem da Filosofia

 

A Filosofia surgiu na Grécia Antiga, por volta do século VI a.C. Naquela época, a Grécia era um centro cultural importante e recebia influências de várias partes do mundo.

 

Assim, o pensamento crítico começou a florescer e muitos indivíduos começaram a procurar respostas fora da mitologia grega. Essa atitude de reflexão que busca o conhecimento significou o nascimento da Filosofia.

 

Antes de surgir o termo filosofia, Heródoto já usava o verbo filosofar e Heráclito usava o substantivo filósofo. No entanto, vários autores indicam que Tales de Mileto foi o primeiro filósofo (sem se descrever como tal) e Pitágoras foi o primeiro que se classificou como filósofo ou amante da sabedoria.

 

Fonte: www.significados.com.br

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:09


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Posts mais comentados


Arquivo

2015